terça-feira, novembro 20, 2007

Instrumentos Musicais: A Marimba


"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Como forma de oferendar este maravilhoso espaço que completou uma ano de existência há uma semana, decidi criar um novo tipo de voo, a Organologia, que irá abranger o estudo dos Instrumentos musicais. Espero com isto poder contribuir para o desenvolvimento da vossa literacia musical, proporcionando-vos agradáveis novidades e surpresas.
Para começar, é essencial apresentar-vos a classificação dos instrumentos (sistema criado por Erich von Hornbostel e Curt Sachs) constituída por cinco categorias principais:
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
I - MARIMBA
A Marimba é um Idiofone de altura definida (significa que as notas do instrumento podem ser afinadas de acordo com as escalas definidas) e é também considerado um instrumento de percussão. Muito semelhante a um Xilofone, a Marimba tem, no entanto, um som mais grave, umas lâminas mais compridas e largas, mas mais finas e tem uma caixa de ressonância constituída por tubos ( característica que mais a diferencia do Xilofone). A técnica de execução consiste no uso de duas a seis baquetas de lã ou feltro que ao percutirem as lâminas, provocam a sua vibração que ressoa através dos tubos ( as marimbas africanas tradicionais têm cabaças como caixa de ressonância) , proporcionando-nos um timbre maravilhoso.
Nos vídeos disponibilizados em baixo poderão assistir ao desempenho dos Marimba Ponies, um grupo de crianças japonesas que privilegia as marimbas como as construtoras principais da harmonia e melodia da música que interpretam ( a canção natalícia Sleigh Ride de Leroy Anderson e o clássico " A Primavera - 1º andamento" das Quatro Estações de Antonio Vivaldi). No terceiro vídeo deslumbrem-se com a música dos moscovitas Apocalypse Marimba Plus, que unem a Marimba a instrumentos de sopro ( trombone, trompa,tuba, trompete), a um violoncelo, a uma bateria e a um baixo, produzindo assim uma harmonia tenebrosa que chega a ser hilariante. Por último no quarto vídeo, apesar de não fazer ideia nenhuma sobre a identificação dos intérpretes( orientais são com certeza), o objectivo principal será mostrar-vos a execução da peça Xylophonia, escrita por Joe Green, na qual poderão diferenciar o timbre das Marimbas e de um Xilofone, que no caso é o instrumento solista.

Saudações de um Comparsa



terça-feira, novembro 13, 2007

Um ano a voar!

Há exactamente um ano, o Falcão e Comparsas fazia o seu baptismo de voo. Depois de 365 dias, 60 posts e mais de 10.000 visitas, acho que posso afirmar que o saldo é positivo. Pretendia a divulgação dos nossos gostos, a partilha daquilo que achávamos que os outros também mereciam conhecer e isso foi conseguido. Após um (natural) entusiasmo inicial, o Falcão passou por um período de voo rasante (especialmente durante os meses de Verão), mas agora está de novo na ribalta e pronto para voos cada vez mais altos. Estamos de volta com nova imagem e com várias novidades na barra lateral (espreitem...), sempre no sentido de melhorar a qualidade deste espaço, e agora também com o intuito de dar a conhecer um pouco da nossa terra.
Resta-me agradecer a todos os Comparsas que me têm acompanhado nesta aventura, mas também aos nossos visitantes, especialmente aos que se dão ao trabalho de comentar e que valorizam a nossa dedicação. Um bem haja!

Por fim, podem ver aqui e agora todos os voos do Falcão e procurar algum que vos tenha escapado...

Saudações de Um Comparsa


sexta-feira, outubro 26, 2007

Almost Famous - Quase Famosos

É um daqueles filmes que ficam, que vemos repetidamente e não nos cansamos. “Almost Famous” é um retrato nostálgico e tocante mas sempre bem-humorado, sobre o mundo do jornalismo e do Rock and Roll dos anos 70. O filme de Cameron Crowe é uma película sobre um grupo de música que nunca existiu (os “Stillwater”), mas é, simultaneamente, um filme autobiográfico do realizador.

O filme passa-se no início da década de 70. William Miller, um adolescente de 15 anos, é um aspirante a jornalista de Rock and Roll desde que ouviu “Sparks” dos «The Who» e descobriu e se apaixonou pela Música. Depois de escrever artigos sobre música para um jornal de bairro, acaba por receber um convite inesperado da consagrada revista "Rolling Stone", que o encarrega de fazer uma reportagem sobre os “Stillwater”. O seu trabalho é capturar aquele momento muito especial, único e irrepetível no mundo da música, em que uma banda quase desconhecida está a um passo de se tornar famosa. “Almost Famous” é a história dessa reportagem que se vai desenrolando durante uma tournée dos “Stillwater”. Mas nessa espantosa viagem pelo país real, William vai passar de repórter neutral e objectivo, a observador participante na dinâmica do próprio grupo. Os “Stillwater”estão no limiar do sucesso, mas William, aos 15 anos, está a viver um momento mágico da sua vida.

Ao contrário da maioria dos realizadores de filmes sobre o mundo do rock, que só o conheceram enquanto espectadores de concertos, Cameron Crowe, antes de ser cineasta e de ter feito “Almost Famous”, foi o mais jovem jornalista de rock americano, tendo-se tornado nos anos 70, num dos nomes de destaque da "Rolling Stone". Não admira, portanto, que “Almost Famous”, onde Crowe foi beber às suas memórias de jovem jornalista, e cuja personagem principal é o seu «alter ego», desminta todos os estereótipos do excesso, da revolta e da auto-destruição típicos dos filmes sobre bandas rock. Crowe consegue falar de sexo, drogas e Rock and Roll num tom e a uma escala «normal», que tudo humaniza, tudo desmitifica e tudo torna credível à primeira impressão.

Os actores são, sem excepção, sublimes, nos papéis principais e secundários. De Billy Crudup a Jason Lee, de Patrick Fugit a Kate Hudson, passando por Philip Seymour Hoffman e, claro, a grande Frances McDormand. E os fãs dos gloriosos anos 70 podem recordar na banda sonora temas dos «Led Zeppelin», «The Who», «Elton John», «Black Sabbath», «Yes», «Simon and Garfunkel», «The Beach Boys», «David Bowie», entre muitos outros nomes que fizeram história.

Ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original, além de ter recebido outras 3 nomeações: Melhor Actriz Secundária (Frances McDormand e Kate Hudson) e Melhor Edição. O Argumento de “Almost Famous”, escrito por Cameron Crowe, é baseado nas suas memórias de quando acompanhou parte da tournée americana dos «Led Zeppelin». Aliás, os “Stillwater” são uma mistura de três grupos que o realizador Cameron Crowe adorava: «Led Zeppelin», «Allman Brothers» e «Lynyrd Skynyrd».

Se nunca viram, procurem ver e deliciem-se com esta carta de amor de Cameron Crowe ao Rock and Roll.

“What do you like more about music?”

“Everything…”



sexta-feira, outubro 05, 2007

Jeff Buckley

Foi há já dez anos que desapareceu uma das melhores vozes do rock dos anos 90.
O cenário é a cidade de Memphis. Jeff Buckley e Keith Foti, amigo e roadie, caminham em direcção a um estúdio onde têm encontro marcado com a banda. Jeff, sempre desafiante, entra nas águas do Wolf River com a roupa vestida e as botas calçadas, apesar dos receios e avisos de Keith. Num rádio portátil pode ouvir-se «Whole Lotta Love» dos Led Zeppelin. Jeff Buckley entoa a letra em voz alta e brinca com a forma própria de Robert Plant cantar. Keith tenta afastar o rádio para evitar que seja danificado pelas ondas provocadas pelos barcos que por ali passam. Quando se vira, já não vê Jeff. Naquela altura só as luzes da cidade iluminam as tristes águas do Wolf River. O corpo de Jeff Buckley é encontrado seis dias depois. O homem que sabia demasiado acerca da vida e do amor havia sucumbido prematuramente de forma trágica e tornava-se num mito para uma geração.

Jeff é filho de Tim Buckley, músico folk que abriu os braços ao jazz e que abandonou Jeff quando este tinha ainda poucos meses. Tim viria a falecer quando Jeff tinha oito anos por overdose de heroína. A sua mãe, Mary Guibert, era uma pianista e violencelista com formação clássica. Jeff cresceu rodeado de músicos e aprendeu música de forma autodidacta desde que descobriu a guitarra da sua avó quando tinha apenas cinco anos. Desde cedo começou a ouvir Led Zeppelin, Jimi Hendrix e The Who e compôs a sua primeira canção aos treze anos.
Estudou no Musician`s Institute de Los Angeles. Desde que saiu de casa aos 17 anos, passou por diversas bandas de rock antes de começar uma carreira a solo, chamando a atenção do público pela primeira vez num tributo ao seu pai. Assina contrato com a Columbia Records e “Grace” é editado em 1994 tendo excelentes críticas junto da imprensa especializada. Visto como ambicioso por uns, obra de génio por outros, mas fundamental para deixar o nome de Jeff Buckley entre os mais influentes da música de 90. Tudo devido à sua composição e interpretação singulares e pela originalidade descoberta na confluência de referências que apresentou a uma geração que as desconhecia. Buckley viria a desaparecer em 1997, quando trabalhava no seu segundo álbum, que nunca conseguiria terminar. As canções inacabadas foram editadas num álbum duplo pela sua mãe com o título “Sketches(For My Sweetheart the Drunk)” em 1998. Continuaram depois a editar álbuns póstumos com material recuperado de concertos e gravações privadas. A vida e carreira de Jeff Buckley, vão ser imortalizadas no cinema sob o título "Mystery White Boy" e está previsto que chegue às salas em 2009.

Aqui fica a homenagem a este grande músico, que com um disco apenas conseguiu consagrar-se como uma das vozes dos anos 90 e que continua a conquistar fãs, dez anos após a sua morte.

P.S. Não consegui colocar aqui alguns dos clips dos singles, porque a SONY não permite que sejam visionados fora do Youtube... Podem ver apenas o vídeo oficial de "Last Goodbye" e o resto são actuações ao vivo e tributos de fãs.


sexta-feira, agosto 10, 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

Life On Mars

Esta série com o carimbo de qualidade da BBC, é neste momento a produção televisiva mais popular em terras de Sua Majestade.

“Life On Mars” é uma mistura de policial com ficção científica e é uma proposta refrescante de 16 episódios (em duas temporadas de 8), o número exacto que os seus autores precisavam para contar a história que tinham na cabeça, não se arrastando indefinidamente como muita boa série que por aí anda.

O arranque deu para ficar agarrado: a série começa como um policial normal, moderno, até ao momento em que o protagonista, o Detective Sam Tyler, em plena angústia provocada pelo rapto da namorada, é atropelado por um carro... e, para grande espanto seu, acorda em 1973. O iPod que tinha no carro e onde “Life on Mars” de David Bowie tocava, é agora um auto-rádio com cartuchos... numa viatura que parece saída de um episódio de Starsky and Hutch. Sem saber como, o polícia refinado dos anos 2000 foi parar aos politicamente incorrectos 70s, repletos de polícias machistas e brutos... com os quais vai ter de trabalhar. Ele não entende nada e nós também não. Sem saber se está louco, se está em coma e tudo se passa no seu subconsciente ou se de facto viajou no tempo, Sam tenta descobrir o que aconteceu enquanto é obrigado adaptar-se à sua nova realidade. Na Manchester de 1973, ele também é um policia e tem que aprender a fazer o seu trabalho de investigação num mundo sem telemóveis, registos de impressões digitais, exames de DNA e coisas desse tipo. Por outro lado, tenta desvendar, no passado, algumas pistas sobre o paradeiro da sua namorada, no presente.

A produção é óptima, o mistério está bem montado, a reconstituição de época é detalhada à mais ínfima textura, a banda sonora tem o melhor que se fez naquela época e as interpretações são da qualidade habitual da BBC.

Nos vídeos, podem ver os trailers e o arranque da série. De certeza que vão gostar, por isso podem encontrar os episódios aqui.




sábado, junho 16, 2007

Festival Serra da Estrela 2007

Foi esta semana divulgado o cartaz do 3º Festival da Serra da Estrela que se realizará entre 12 e 15 de Julho e sendo este o único evento do género na nossa região, sinto-me na obrigação de o divulgar neste nosso espaço.
O 1.º Festival da Serra da Estrela surgiu do alinhamento de ideias de um grupo de jovens de Valhelhas com o intuito de dinamizar social e culturalmente esta zona da Serra da Estrela através de um evento que dá a conhecer um 'interior' que, embora longe dos grandes centros, não deixa de ser uma zona empreendedora e aberta a novas iniciativas. Toda a envolvência natural e as condições físicas e estruturais de Valhelhas são uma mais valia, que só por si merecem a nossa visita.
A aldeia fica situada no parque natural da Serra da Estrela, a 20km da Guarda e da Covilhã e dista 15 km da auto-estrada A23 (cliquem no mapa para ampliar).

Nesta edição a estrutura base do Festival é mantida, como tal as tasquinhas regionais não podiam faltar ainda com mais sabores e aromas, assim como a zona de artesanato montada numa tenda gigante. Um parque radical maior e a praia fluvial cheia de actividades aquáticas, assim como peças de teatro e workshop’s preencherão as tardes do público presente. Sendo um dos objectivos da organização querer sempre melhorar a qualidade deste evento, uma das novidades para este ano será um palco secundário, denominado palco Zêzere, para divulgação de bandas de “garagem” do Distrito da Guarda. Todas as noites serão encerradas pelos incansáveis Dj’s na zona after-hours.

Apareçam, pois o festival vale pelo seu todo e não apenas pela música, podem desfrutar das belas paisagens e também da praia fluvial à porta da tenda. Para mais informações, passem por: www.festivalserradaestrela.com .


Quinta, 12 de Julho
Missyrbss
Phoenix Crew
Clandestinos

Sexta, 13 de Julho
The Zippers
Mundo Cão
Balla
Expensive Soul & Jaguar Band

Sábado, 14 de Julho

Dazkarieh
Souls Of Fire
Terrakota
Primitive Reason

Domingo, 15 de Julho
Sequela
The Fury




quarta-feira, junho 13, 2007

Arrested Development

Descobri esta série recentemente e senti que tinha que partilhar esta pérola com vocês. Considerada por muitos como a melhor comédia pós Seinfeld, "Arrested Development" é um autêntico abalo cómico graças a histórias divertidas em cada episódio e geniais interpretações de um humor sem tréguas. Os intérpretes são primorosos e vestem a pele de personagens minados de pancas e extravagâncias. Os actores estão à altura do desafio, criando e explorando diferentes abordagens em ecrã dos seus personagens, o que transmite uma constante renovação, em que a "pancada" se tende a agravar.
A série desenrola-se à volta de Michael Bluth, uma pessoa normal no meio da sua família disfuncional, que é obrigado a ficar em Orange County para ficar à frente do negócio de imobiliária depois de seu pai, George Bluth Sr., ser preso por operações duvidosas e é o único que entende a seriedade da situação. Mas a história muda quando se conhece os membros dessa família. Além de Michael, ela é formada por sua mãe, Lucille, uma socialite tão fria quanto os seus martinis ; os seus irmãos Buster (um estudante neurótico que é o menino da mamã) e Gob (um mulherengo e fracassado mágico); sua irmã obcecada por moda Lindsay e seu marido Tobias que perdeu a licença de médico e sonha tornar-se actor. E ainda George Michael, o filho adolescente de Michael, que tem uma estranha paixão por sua prima Maeby (filha de Lindsay e Tobias).

Há uma quebra dos valores convencionais na forma de fazer comédia com «Arrested Development». É certo que a estrutura das famílias disfuncionais é uma formula recorrente na televisão, mas o que a diferencia das outras é o brilhante casting, as situações absurdas em que as personagens são colocadas, mas também o estilo visual inovador da série. Outro pormenor, é que, ao contrário da maioria das comédias, a série não tem nenhuma risada da plateia.

Possui um grande leque de participações especiais, contando com nomes como Liza Minelli, Ben Stiller, Charlize Theron, Zach Braff e Julia Louis-Dreyfus. O actor/realizador Ron Howard fecha a galeria das presenças especiais: apesar de não creditado, é a voz do narrador.
A mais inovadora das séries de comédia televisiva americana dos últimos anos galardoada com vários Emmys, incluíndo Melhor Série Comédia, Melhor Direcção para Série Comédia e Melhor Escrita para Série Comédia, já foi exibida em Portugal com o nome «De Mal A Pior», pela TVI, porém teve o destino que a grande maioria das séries compradas pelo canal tem, e foi remetida para altas horas da madrugada.

Podem visionar alguns excertos nos videos em baixo, encontrar os episódios aqui ou ver a opinião do grande Nuno Markl , quando lhe perguntei o que achava da série. Descubram a família Bluth, que contribuiu para o abanão nas convenções televisivas na América nos anos 2000, a par de séries tão diversas como «Prison Break», «Perdidos» ou «24», séries que mudaram a forma como olhamos para as produções do pequeno ecrã.



segunda-feira, maio 21, 2007

Chinatown

Mais de 30 anos passaram desde a estreia de «Chinatown», um dos primeiros grandes sucessos de bilheteira e de crítica de Jack Nicholson, que lhe valeu inclusivamente a sua segunda nomeação para um Oscar da Academia. Este clássico do film noir, realizado por Roman Polanski em 1974, segue os passos do detective privado Jake Gittes na Los Angeles dos anos 30. Ele é contratado para investigar um possível caso extraconjugal de Hollis Mulwray, marido de Evelyn (Faye Dunaway), mas acaba por descobrir algo bem maior do que aquilo que procurava. Gittes vai descortinando lentamente uma rede de conspirações e assassinatos que acabarão por colocar a sua própria vida em perigo… O final intensamente dramático é talvez uma das razões que eleva este filme a um clássico.
«Chinatown» teve umas impressionantes 11 nomeações para os Oscares (incluindo Melhor Filme, Realizador, Actor e Actriz), mas apenas conquistou a estatueta para o argumento de Robert Towne. Este era o ano de outro grande filme: «O Padrinho II». Jack Nicholson ganharia o seu primeiro Oscar no ano seguinte com a sua interpretação em «Voando Sobre Um Ninho de Cucos».
Nicholson gostava tanto da personagem, que foi rejeitando todos os papeis de detective propostos ao longo da carreira. Originalmente, «Chinatown» fazia parte de uma trilogia sobre Jake Gittes e Los Angeles, e o próprio Nicholson realizou e protagonizou «Two Jakes» em 1990. No entanto, cotou-se como um insucesso e «Cloverleaf», a terceira parte, nunca chegou a ver a luz do dia…
Vejam, porque vale a pena. Além disso, é sempre um prazer ver trabalhar este senhor…
"Forget it, Jake. It's Chinatown"



quinta-feira, maio 10, 2007

Focus / Ekseption

Caros Comparsas

Há bem pouco tempo tive a felicidade de conhecer duas bandas históricas nos Países Baixos. Até hoje todo o universo da música holandesa que me rodeava restringia-se aos Within Temptation, (que aproveitaram a porta aberta pelos Evanescence para se afirmarem como êxitos de venda, apesar de serem pioneiros no género e certamente referência para os norte-americanos) e a Ludwig van Beethoven, que apesar de ser genuinamente alemão, tem descendência holandesa!

Sendo um país com uma política extremamente liberal e sendo um terço da sua população não religioso, a Holanda é um paraíso para aqueles que adoram praticar o que é proibido mas que se pode fazer. E a música parece ter seguido esse espírito liberal...
Os Focus e os Ekseption iniciaram-se no mundo da música no final dos anos 60, ambas bandas de rock progressivo e sinfónico, destacaram-se pelas brilhantes composições e improvisações instrumentais nos seus temas.
Com várias influências eruditas, os Ekseption encarnam uma verdadeira orquestra electrónica em palco misturando o lado clássico da música com o psicadelismo progressivo. A banda era composta por um trompetista, um saxofonista-flautista (simultaneamente), um percussionista, um baixista e pelo irreverente Rick van der Linden que interpretava tudo o que tivesse teclas :) Chegaram a ter um vocalista em dois álbuns, mas a ideia foi abandonada pois toda a essência da banda era instrumental. O tema que podem apreciar em vídeo é uma adaptação da obra Badinerie naar Suite No. 2 in B-Minor de Johann Sebastian Bach!
Também iguais em excentricidade e mestria os Focus são considerados o melhor colectivo holandês dos anos 70. Liderados pelo organista e flautista Thjis van Leer a sua música sem regras era de uma originalidade e exclusividade extraordinária, contendo também referências clássicas. Actualmente ainda no activo, a formação passou por muitas mudanças, mas não perdeu a energia de há 35 anos atrás. Os temas a que poderão assistir no vídeo são os seus dois grandes êxitos, estejam atentos à extensão vocal de Thjis van Leer.
Convido-vos então a conhecer estas duas pérolas holandesas que me fizeram reforçar a preferência pelos anos 70 como a minha década preferida da história da música.

Saudações de um Comparsa