terça-feira, fevereiro 26, 2008

Instrumentos Musicais: o Oboé e o Clarinete;

"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Variando um pouco a tendência da exposição individual de cada instrumento, resolvi expor de uma só vez dois instrumentos cujo timbre é muito semelhante e que muitas dúvidas provoca na identificação auditiva de cada um. Tentarei clarificar-vos sobre as diferenças entre o clarinete e o oboé. Antes disso, algumas noções essenciais:
  • Timbre - Característica do som que nos permite distinguir fontes sonoras que produzem a mesma frequência. [ex. a nota Ré tocada numa Harpa tem a mesma frequência que a nota Ré (com altura semelhante) tocada numa Marimba, no entanto a diferenciação do instrumento é-nos permitida através do seu diferente timbre];
  • Instrumento Transpositor - Instrumento cuja nota escrita (na partitura) é diferente da nota verdadeira, isso por causa da afinação própria do instrumento; sendo assim é necessário que haja uma transposição de notas para que o referido instrumento toque no tom real da música;
E também o sistema de classificação dos instrumentos criado por Hornbostel e Sachs :
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
III - OBOÉ

Membro da classe dos Aerofones, o oboé é um instrumento de sopro pertencente à família das madeiras. Peculiar pela sua forma ligeiramente cónica este instrumento faz parte do grupo restrito de sopros que possui na embocadura uma palheta dupla. A palheta é constituída por duas lâminas encostadas uma à outra e fixadas na sua extremidade inferior por um tubo de metal e cortiça, que é posteriormente fixada na extremidade superior do oboé. O executante prende a palheta nos lábios e ao soprar faz com que as duas lâminas vibrem e batam uma na outra proporcionando-nos aquele timbre anasalado e encantador.
Sendo presença constante na orquestra, o oboé é também requisitado como instrumento solista.
Fiquem então com o tema "Gabriel's Oboe" composto e dirigido por Enio Morricone e que faz parte da banda sonora original do filme "The Mission" de 1986 protagonizado por Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson. De seguida poderão ver e ouvir o oboé num registo diferente interpretado pelo consagrado oboísta Jean- Luc Fillon, segue-se a abertura da suite do bailado "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky onde o oboé assume o destaque da melodia durante o primeiro minuto. Para terminar um pequeno slide de imagens sobre o oboé e os seus constituintes.






IV - CLARINETE

Também pertencente à classe dos Aerofones e à família dos sopros de madeira, o clarinete apresenta-se quanto à forma com um tubo mais cilíndrico. Mas a grande diferença em relação ao oboé consiste na palheta (a do clarinete é simples e incluída numa boquilha) e na extensão das notas (o oboé possui a menor extensão de notas entre os sopros, enquanto a clarinete, a maior) e no seu timbre que é mais grave e mais aveludado que o do oboé. Como referi anteriormente o clarinete tem uma embocadura de palheta simples, esta ao ser soprada faz com que a palheta vibre contra a boquilha. O clarinete (ao contrário do oboé) é um instrumento transpositor e ocupa posição de destaque nas orquestras actuais devido ao seu poder sonoro e à sua extensão de notas.
Existem vários tipos de clarinete distribuídos por diferentes afinações e tamanhos.
Da esquerda para a direita temos então a requinta, o clarinete soprano (2, 3 e 4), o clarinete alto, o basset horn, o clarinete baixo e o clarinete contrabaixo. Deixo-vos então com os vídeos: no primeiro poderão visionar um trio com clarinete, violoncelo e piano a interpretar a peça "Invierno Porteño" de Astor Piazolla; no segundo um sexteto a interpretar o célebre " Tico-Tico no Fubá" em três tipos de clarinete; o terceiro traz mais uma prestação dos Apocalypse Marimba Plus onde poderemos apreciar o registo do basset horn; para terminar uma verdadeira orquestra de clarinetes a interpretar a peça "Rikudim" do compositor belga Jan van der Roost.

Saudações de um Comparsa


sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Atonement - Expiação


Este filme, estreado entre nós durante o mês de Janeiro, é um bom exemplo da bela colheita cinematográfica deste ano.
Primeiramente apresentado no Festival de Veneza, o novo filme de Joe Wright (que nos trouxe em 2005 uma nova versão de “Orgulho e Preconceito”) é um dos grandes filmes deste novo ano, e ganhou o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme em Drama. Não há razões para menos, pois estamos perante um título de enorme poder visual e força narrativa, bem servido de excelentes interpretações.
Baseado no aclamado romance de Ian McEwan, Joe Wright agarra todo o potencial desta obra literária, e transforma-a num filme possuidor de uma qualidade temática invejável, muito bem complementada pela sua segura realização, vestida de momentos artísticos de grande relevância.
“Atonement” é um drama familiar e romântico que a dada altura se cruza com o filme de guerra e que mantém uma certa aura que apetece classificar como “clássica” mas que não o é de todo. Em termos narrativos, “Atonement” é muito menos linear do que seria previsível neste tipo de filmes. O tempo é bastante fragmentado, com vários flashbacks que repetem a mesma acção de perspectivas diferentes. Mas comecemos pelo princípio. "Atonement" tem dois momentos bem distintos. Na primeira parte estamos perante um filme de época à "Orgulho e Preconceito". Aqui deparamos-nos com as inquietações sociais de uma família da alta sociedade britânica. É tudo muito bem filmado e os cenários e a fotografia são exemplares. Depois entramos em algo que toca no campo da tragédia épica em tempos de guerra. Uma espécie de "Paciente Inglês", magistralmente filmado e interpretado e com um desfecho poderoso que vem dar todo um novo sentido à primeira parte.
Toda a narrativa é construída sobre personagens de enorme peso humano, e Keira Knightley volta a demonstrar o porquê de ser uma das mais importantes actrizes da actualidade, acompanhada do sólido James McAvoy (que alguns conhecerão da excelente série britânica “Shameless” da SIC Radical ou de “O Último Rei da Escócia”), um condenado inocente que carrega em si um pecado que não lhe pertence.
Dotado de uma experiente e inteligente realização, uma montagem carregada de suspense, um argumento excepcionalmente bem escrito e de prestações bem conseguidas, “Atonement” é desde já um dos grandes acontecimentos de 2008, onde há ainda lugar de destaque para a fabulosa banda sonora de Dario Marianelli, e para a fotografia de Seamus McGarvey, que capta tão sobriamente a ténue linha entre a esperança e o medo que as imagens nos revelam. Um pequeno conselho: estejam atentos a uma verdadeira lição de "como realizar um épico", no momento em que McAvoy chega à praia francesa de Dunquerque.
Numa semana como esta, tenho que referir as sete nomeações para Óscar que esta película arrecadou, incluindo Melhor Filme. É um filme que aconselho vivamente, que pode não ficar nos vossos preferidos (não ficou nos meus...), mas que toda a gente deve ver, pois isto é bom cinema!




quinta-feira, fevereiro 14, 2008

E os nomeados são...




Deixem as vossas previsões e preferências até dia 24. Bons filmes para todos.
Saudações de Um Comparsa

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford


Não é todos os dias que nos chega um filme como “O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford”, a segunda obra de Andrew Dominik.
Cruel assassino para uns, herói popular para outros, Jesse James é, aos 34 anos, um carismático criminoso acusado de ter morto pelo menos 17 pessoas. Em 1881 a maioria do gang original de Jesse James encontra-se morta ou presa. Para os seus golpes, Jesse e o seu irmão Frank recrutam os irmãos Ford: Charley e Robert, um ambicioso jovem de 19 anos que idolatra (e inveja) James...
Embora o filme não seja de um todo um veículo para os seus protagonistas, as prestações de Brad Pitt e Casey Affleck são tudo menos secundárias. Brad Pitt consegue compor um Jesse James de uma ambiguidade misteriosa, entre o cruel e o atencioso, o violento e o terno. Uma figura maior, que recordamos pela postura serena no mal e no bem. Já Casey Affleck é o actor do filme, que certamente revelará ao mundo o excelente actor que ele é. O seu Robert Ford é magnífico, acompanhando Jesse com um olhar embevecido e um sorriso lânguido, com um misto perfeito de ódio e amor. A sua expressividade é impressionante, sobretudo nos grandes planos.
A começar nas interpretações, passando pela realização e terminando na fotografia, O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford tem todos os condimentos para ser um dos melhores do ano. Quem tiver o intuito de ver o filme, por favor, não pense que vai visualizar muitas cenas de grande acção ou grandes perseguições, pois isso não se sucede. O olhar de Dominik incide nos mais pequenos pormenores, fornecendo ao espectador uma visão extraordinária sobre todos os elementos em cena, naquele que é um dos melhores exercícios dos últimos tempos sobre a importância do ambiente. A câmara demora-se, convida o espectador à contemplação. Dominik não tem qualquer problema em atrasar a acção, só para que possamos entrar na pele dos intervenientes. Esta película conquistou assim duas nomeações para os Óscares da Academia: para Melhor Fotografia (realmente notável do talentoso Roger Deakins) e, claro, para Casey Affleck na categoria de Melhor Actor Secundário (que vai competir com Javier Bardem, que tem açambarcado todos os prémios com o seu trabalho em No Country For Old Men).

Deslumbrante western que não o é, e um filme biográfico que está longe de o ser. Antes uma visão poética de um acontecimento marcante que recorre a imagens deslumbrantes, íntimas e intensas, e a interpretações notáveis. Como uma evocação do estreito elo entre crime e fama, esta película faz uma observação histórica da cultura americana e da sua obsessão com a celebridade. A forma: visualmente arrebatadora.






P.S. Esta é a altura em que os melhores filmes do ano chegam a Portugal. E todos ao mesmo tempo... Podemos encontrar nas salas nacionais Sweeney Todd de Tim Burton (Charlie e a Fábrica de Chocolate, Eduardo Mãos-de-Tesoura), Expiação de Joe Wright (Orgulho e Preconceito), No Vale de Elah de Paul Haggis (Crash), The Darjeeling Limited de Wes Anderson (Life Aquatic), Jogos de Poder de Mike Nichols (Closer) e O Lado Selvagem do conhecido Sean Penn. Nas próximas semanas, vão estrear aqueles que são, para mim, os filmes mais esperados do ano: There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson (Magnolia, Boogie Nights) e também No Country For Old Men dos irmãos Coen (Fargo,The Big Lebowski). Outras estreias aguardadas são Michael Clayton do estreante Tony Gilroy, The Savages de Tamara Jenkins e do muito elogiado Juno, que eu já tive oportunidade de visionar...

Como podem ver, há neste momento películas de boa qualidade para todos os gostos. Com tempo, irei falar daquelas que já me passaram pelas mãos.

Saudações de Um Comparsa

quinta-feira, janeiro 24, 2008

The No Smoking Orchestra

Caros Comparsas

Zabranjeno Pusenje na antiga língua servo-croata, nasceu na cidade bósnia de Sarajevo há 27 anos uma das mais hilariantes bandas da actualidade.
Tendo sido desde o início uma banda irreverente e intervencionista que se apoiava na satirização dos políticos jugoslavos da era pós Tito, os The No Smoking Orchestra apadrinham em 1986 o elemento que posteriormente os catapultou para a fama e reconhecimento internacional: o realizador Emir Kusturica. Sem dúvida uma união perfeita já que participaram na banda sonora do filme "Gato Preto, Gato Branco" e compuseram a banda sonora do filme "A Vida é um Milagre" ,ambos realizados por Kusturica. Unindo a música tradicional cigana dos balcãs a uma espécie de rock/punk, os The No Smoking Orchestra fazem dos seus espectáculos ao vivo uma verdadeira paródia, contagiando toda a plateia com a sua originalidade, loucura, boa disposição e sentido de humor.
Liderada pelo irreverente vocalista Dr. Nelle Karajlic, a banda conta ainda, para além de Emir Kusturica, com o compositor e virtuoso violinista Dejan Sparavolo, e reúne ainda sonoridades de instrumentos como o acordeão, o saxofone, o sousafone.
Para ver e ouvir dia 25 de Janeiro no Coliseu do Porto e dia 26 de Janeiro no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Fiquem com alguns vídeos.

Saudações de um Comparsa


domingo, janeiro 20, 2008

Som Nacional - Parte VI

No tão ansiado regresso desta rubrica, apresento três propostas completamente distintas da nova música portuguesa. Espero que gostem...

Sean Riley & the Slowriders

Este grupo conimbricense lançou no final de 2007, “Farewell”, o seu álbum de estreia. A força de Sean Riley & the Slowriders resulta da perfeita junção do próprio Sean Riley (voz e guitarra) com Bruno Simões (baixo) e Filipe Costa (órgão, harmónica e bateria). Sean Riley, um songwriter com uma maturidade invulgar para um estreante, coloca a força da sua composição na simplicidade das letras, nas guitarras acústicas e na intensidade dos elaborados arranjos criados pelos Slowriders. Baseando-se num estilo Folk-Rock, existiram desde logo associações imediatas a Bob Dylan, Tim Buckley e Leonard Cohen. “Farewell” é um disco coeso e inspirador onde todos os instrumentos parecem estar no lugar certo, o que nos vai fazer seguir este grupo com muita atenção nos próximos tempos.


Slimmy

Slimmy é o projecto do português Paulo Fernandes. “Beatsound Loverboy”, o seu primeiro álbum, tem ambição internacional e um som que de lusitano tem apenas o bilhete de identidade. Slimmy é natural do Porto, mas criou em Londres a sua maqueta de apresentação e que por sua vez conseguiu notoriedade por parte da imprensa Inglesa. Na sua primeira aventura discográfica, Slimmy explora o seu mundo distorcido e louco de tensão sexual e amorosa, com vocalizações estridentes e o uso de falsete, batidas explosivas e guitarras cheias de raiva. Uma mistura que combina estilos como o electro, rock, disco, house, techno e pop. Slimmy já conseguiu chamar a atenção de alguns meios norte-americanos tendo um tema na banda-sonora da série CSI Miami.


Donna Maria

Donna Maria são um trio da grande Lisboa com fortes influências da música electrónica e uma alma profundamente portuguesa bem patente no recurso a instrumentos tradicionais, como a guitarra portuguesa ou o acordeão. “Música para ser Humano" é o seu segundo álbum e marca a sua entrada numa editora multinacional. Autores de uma música onde fado e pop se confundem, os três músicos são acompanhados por convidados como Rui Veloso, Raquel Tavares, Rão Kyao, Júlio Pereira e Luís Represas. A voz é um importante trunfo dos Donna Maria, Marisa Pinto canta em português de maneira cativante e convincente. É uma vocalização que combina na perfeição com a junção de ambientes sonoros electrónicos com arranjos tipicamente lusos que só a guitarra portuguesa e o acordeão conseguem transmitir.




segunda-feira, janeiro 14, 2008

Eastern Promises - Promessas Perigosas


Com este seu novo filme, o realizador David Cronenberg prova que está em grande forma e prolonga o estudo sobre a violência iniciado com o igualmente extraordinário “Uma História de Violência”. Sempre com uma forma muito própria de contar a história, Cronenberg manteve o estilo neste filme. Focalização nas relações humanas, ética, honra e violência explícita.

A história situa-se na Londres dos dias de hoje e gira em torno de Anna Khitrova (Naomi Watts), uma parteira que socorre uma jovem de Leste que morre ao dar à luz. Decidida a encontrar a família da criança, Anna segue o rasto do diário que ela deixou e de um cartão encontrado no seu interior o que a conduz a um restaurante tradicional russo. Porém, vê-se subitamente envolvida numa rede de criminalidade em que todos usam máscaras para esconder a verdadeira identidade. E é aqui que Anna se cruza com o misterioso Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen), o motorista de uma das mais famosas famílias do crime organizado de Londres, com origem na Europa de Leste. A partir deste momento, várias vidas ficam no fio da navalha, numa angustiante cadeia de crimes e enganos que se desenrola através dos mais negros recantos desta família e da própria cidade de Londres.

É a história mais simples e violenta dos últimos tempos, mas é também bela e uma lição de perfeição absoluta nos mais variados níveis: realização, argumento e interpretação. Os actores estão soberbos, dos principais aos secundários e Viggo Mortensen tem aqui, provavelmente, a melhor interpretação da sua carreira, construindo uma personagem de carácter indefinido, abstracta, que ao circular entre os dois mundos, acaba por misturar comportamentos e sentires numa vertiginosa descida aos abismos da alma humana.

Há imagens e cenas em”Eastern Promises” que tão cedo não esquecerei e ainda bem que assim é, destacando-se a sequência da luta na sauna que é tão explicitamente brutal, como recheada de humor negro e brilhantemente filmada. Cronenberg no seu melhor, num dos melhores filmes dos últimos tempos.




domingo, dezembro 30, 2007

Nip/Tuck

Sexo. Sedução. Lipoaspiração. Pode encontrar tudo isto em Nip/Tuck, uma série destemida e galardoada que pode não ser uma das séries da moda mas é, sem dúvida, uma das séries do momento.
Nip/Tuck explora o lado obscuro das cirurgias plásticas, o doloroso e, por vezes, violento caminho que leva as pessoas a procurar a beleza exterior.
Sean McNamara e Christian Troy são dois cirurgiões plásticos de sucesso em Miami, forçados a enfrentar crises de meia-idade em que se misturam problemas familiares, profissionais e amorosos. Enquanto Christian parece adorar o seu estatuto de homem bem sucedido e todas as mulheres que este lhe proporciona, Sean sente que os anos que dedicou intensamente ao trabalho lhe custaram o distanciamento da sua mulher e filhos. Embora pareça à partida ambientada num mundo desinteressante, Nip/Tuck é uma das séries de maior impacto do momento. Ambição, mentiras, sexo, são alguns dos ingredientes que desta série que nos mostra a complexidade e a insegurança do mundo da cirugia plástica, através de histórias e episódios muito arriscados e uma estética nunca vista, revelando-nos de forma dramática a complexa e frágil natureza humana de certos pacientes que tentam mascarar as suas debilidades psicológicas graças a modificações no seu aspecto físico.
Esta provocante série é uma das mais elogiadas pela crítica americana e conquistou um Globo de Ouro para a Melhor Série Dramática e vários Emmys.
Se ainda não conhecem, espreitem porque vale a pena. Eu já vou na 4ª temporada...
Saudações de um Comparsa

terça-feira, novembro 27, 2007

Instrumentos Musicais: A Harpa

"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Dando continuidade a este entusiasmante novo tipo de voo, acho pertinente clarificar-vos sobre o significado de alguns termos que serão frequentemente usados:
  • Caixa de Ressonância - Câmara cheia de ar, com formatos variados que serve principalmente para reforçar a intensidade sonora;
  • Altura Definida ou Determinada - Significa que as sons desses instrumentos poderão ser sempre afinados de acordo com as escalas musicais predefinidas e representar as notas comuns;
  • Altura Indefinida ou Indeterminada- Significa que os sons desse instrumento não podem ser afinados, nem representar as notas comuns (Dó, Ré etc...), limitando-se, numa partitura, à representação de figuras rítmicas;
Já agora, recordo o sistema de classificação dos instrumentos criado por Hornbostel e Sachs :
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
II - HARPA
Harpa é um nome genérico que se dá a todos os cordofones que possuem as cordas num plano perpendicular ao do tampo da caixa da ressonância.
Tratando-se de um dos instrumentos mais antigos do mundo, existem duas categorias: as harpas de caixilho e as harpas abertas, cuja grande diferença é a existência de um pilar ou coluna nas harpas de caixilho que liga a área da caixa de ressonância à consola; as harpas abertas não possuem a coluna, portanto costumam ser arqueadas (lira, harpa africana), como poderão comprovar na imagem em baixo que relaciona a evolução da harpa com a evolução do homem.
A harpa é interpretada através da técnica do dedilho, o que significa que o som é produzido pela vibração das cordas quando accionadas pelos dedos do harpista. Apesar dos vários tipos e feitios a mais vulgar e moderna é a harpa de caixilho ( imagem ao lado) que é constituída por cinco grandes partes: coluna ( pelare), caixa de ressonância( resonansbotten), o conjunto de cordas (strängar), a consola (stämnaglar) e o pé com pedais ( fotpedaler ). O conjunto de cordas(47 no total) encontra-se ligado à consola e é recebido na sua parte inferior pela caixa de ressonância que se encarrega de amplificar o som produzido pela vibração das mesmas.


Nos videos que se seguem, poderão assistir à interpretação de variados estilos musicais em harpas de caixilho desde samba a jazz, de música tradicional a música clássica.


Saudações de um Comparsa


terça-feira, novembro 20, 2007

Control

Estreou em Portugal na passada quinta-feira, dia 15, a tão esperada película "Control", acerca da vida de Ian Curtis, vocalista e líder da mítica banda de Manchester dos anos 80, Joy Division.

Anton Corbijn transportou para a tela, a história biogáfica de Ian Curtis, baseada na biografia, "Touching From A Distance", escrito pela viúva do líder da banda, Deborah Curtis, passados 15 anos após o seu trágico suicídio.


Para poder transmitir a carga emocional e a atmosfera misteriosa, encantadora e poética que envolve esta mítica personagem do rock (se assim lhe quiserem chamar), há que transportar o leitor umas décadas atrás, à cidade de Manchester, em Inglaterra.

Em 1977 , Manchester era uma cidade cinzenta, essencialmente industrial e de paisagem claustrofóbica, onde já fervilhava a vanguarda que iria herdar o punk e trazê-lo de volta ao mundo no formato new-wave.

No mesmo ano actua no Electric Circus, a banda que viria a ser a futura Joy Division, mas que na altura subia ao palco sob o nome de Warsaw (nome esse, retirado da música “Warszawa” do LP “Low” de David Bowie). Os elementos da banda apresentavam-se de cabelo curto, camisa abotoada e dentro de umas calças pretas à anos 40 – uma imagem consideravelmente invulgar, contrastando com as jeans rasgadas e o spiky-hair de uns Sex Pistols- (relembro o leitor que no ano de ’77 eclodia o punk-rock na capital inglesa.)

Em 1978, a banda toca no Factory Club, (onde nasceram os controversos Happy Mondays), do famoso e recentemente falecido jornalista Tony Wilson, que foi o responsável pela divulgação do punk/ new wave inglês, e apresentador do lendário programa “So It Goes”, onde se estrearam diversas bandas da época como os Buzzcocks. (Para os leitores interessados na história do Factory Club e das bandas que por lá passaram aconselho o fantástico filme, “24 Hours Party People”.)

Depois desta actuação que mostrava mais uma banda vulgar, os Joy Division trabalharam imenso o seu som e performance: Peter Hook e Bernard Sumner tornaram os gemidos das suas guitarras numa melodia que havia de se tornar a base e o ex-líbris da sua música, acompanhados pelas batidas distantes e secas de Stephen Morriss e pelo romantismo original e intimista da voz de Curtis. O mito tinha acabado de nascer e ninguém imaginaria o que estava para acontecer.

Após travarem conhecimento com o genial produtor Martin Hannett, lançam o primeiro LP “Unknown Pleasures”, recebido de forma brilhante pela imprensa e que fez catapultar a banda do anonimato para a estante das bandas de culto de Inglaterra.

Tornavam-se um culto e uma moda para os meios estudantis. Em 1979 saêm os singles que ainda hoje ecoam em qualquer bar de “rock”: “Transmission” e “Atmosphere”, (cujo videoclip também fora realizado por Anton Corbijn).

Miguel Esteves Cardoso, (que na altura se encontrava a estudar em Manchester e que colaborava e escrevia para a revista “Música e Som”) diz-nos: “Ao vivo, os Joy Division tinham sobretudo a força da sua convicção incrível – aquela soturnidade introspectiva, a loucura demasiado franca de Ian Curtis, e, acima de tudo, a sensação de solidão da banda (em relação ao público e, depois, a tudo) eram demasiado fortes para serem assimiladas como um mero e divertido espectáculo Rock.” (in Escrítica Pop, de M.E. Cardoso).

Em vésperas de uma tourné pela América, Curtis é encontrado pela sua mulher ajoelhado no chão da cozinha de sua casa em Macclesfield com uma corda ao pescoço. Era 18 de Maio de 1980 e cumpria-se assim o mito romântico do artista/herói perturbado: mais uma morte prematura na cultura rock.

O resto explica-se facilmente. Nascem os New Order como a banda órfã de Curtis, vingando a sua música na cena electrónica que desabrochava nos anos 80, com a entrada em força dos sintetizadores na criação de sons e batidas.


Regressando ao filme “Control”, este ilustra a preto e branco o percurso de Ian Curtis desde a sua juventude em que sonhava ser um Bowie ou até mesmo um Morrisson até ao dia 18 de Maio de 1980. Não se desanimem os leitores pelo facto de eu poder ter estragado qualquer efeito surpresa do filme! Pois esta película não se trata de contar uma história, pois essa já toda a gente a sabe!, mas sim, ilustrar e documentar para a prosperidade o “mito Ian Curtis” e relatar/ desvendar o que atormentou o vocalista que dividia o seu amor por duas mulheres.(!)

Do ponto de vista pessol, e como é óbvio, adorei o filme. Apesar de já saber o que esperar da história entrei na sala ansiosa e saí de lá abatida. Inevitável. Corbijn fez um excelente trabalho e adorei o facto de ter optado por uma tela a preto e branco, remetendo-nos naturalmente para uma história do “passado”, escondida e cheia de “pó”. É um filme arrepiante e tenso , em que por vezes o humor por parte das personagens da banda, nos descontrai momentaneamente.

Para os fãs da banda é um filme imperdível, obrigatório e essencial. Para os desconhecedores da banda é um filme que vale a pena e que mesmo assim é capaz de vos prender, tocar e fazer apaixonar.

O rock perdeu muito cedo um dos seus mais belos príncipes. É um reinado que irá continuar (será que ainda continua?), mas nunca mais será (/foi) o mesmo.