terça-feira, abril 08, 2008

Californication

Californication é a série que marca o regresso ao êxito de David Duchovny, o popular Fox Mulder de Ficheiros Secretos.

Californication conta a história de Hank Moody, um escritor com apenas um livro de sucesso e em crise de inspiração. A fala arrastada e de boca fechada de David Duchovny encaixou-se perfeitamente na personagem principal, ambivalente, talentoso e instável, que navega numa sinuosa jornada de álcool, vícios e mulheres, mas que almeja, ao mesmo tempo e sobretudo, restabelecer a antiga relação amorosa com sua ex-companheira, com a qual tem uma filha pré-adolescente.

A nova série da Showtime (que nos oferece também Weeds, The L Word ou Dexter) é uma mistura de humor e de drama, com ligeira inclinação para o primeiro e faz dos diálogos o seu grande forte. Fértil em cenas eróticas, algumas de sexo explícito, a série já fez correr rios de tinta a favor e contra e permitiu a David Duchovny ganhar o Globo de Ouro na categoria de Melhor Actor em Série de Comédia pelo seu trabalho na interpretação do escritor nova-iorquino em profunda crise pessoal e criativa em Los Angeles.

Californication pode não ser uma série imperdível, mas é uma série leve, bem disposta e viciante, com um sentido de humor negro e uma fina ironia que surpreendem e agarram o espectador, o que nos faz querer ver, de seguida, dois ou três dos seus curtos episódios. Em Portugal, passa no canal FX da TvCabo, mas é também uma das próximas apostas da RTP2. Ou então, podem encontrá-la aqui.

Saudações de um Comparsa

terça-feira, março 11, 2008

Sweeney Todd, o Terrível Barbeiro da Fleet Street


Sweeney Todd, o Terrível Barbeiro da Fleet Street, realizado por Tim Burton, é uma adaptação cinematográfica de um espectáculo estreado na Broadway em 1979, ao qual o realizador permanece fiel.

Tim Burton transporta para o grande ecrã um dos grandes mitos urbanos londrinos – a história de um barbeiro inglês que no início do século XIX se dedicava a assassinar os seus clientes. Fazendo parte de uma tradição oral, a história é referida por Charles Dickens no seu livro Martin Chuzzlewit (1843), sendo logo a partir de finais do século XIX representada em vários palcos, dando lugar ao primeiro filme (ainda mudo) em 1926, feito em Inglaterra.

Em 1973, o dramaturgo britânico Cristopher Bond escreve a peça Sweeney Todd, na qual acrescenta o lado luminoso do personagem, o Benjamin Barker, separado da mulher e da filha por um juiz corrupto, cuja separação e exílio o faz alimentar-se por uma enorme sede de vingança que se perpetua em Sweeney Todd. O enredo ganha assim «uma dimensão social, com críticas à desigualdade de classes, à justiça corrupta e à voracidade desumana do capitalismo industrial galopante» (Eurico de Barros - DN).

Stephen Sondheim e Hugh Wheeler transportam a história para o palco da Broadway em 1979 e, apesar das primeiras reacções confinadas de horror a tanta violência em palco, Sweeney Todd esteve quase dois anos em cartaz.

Sam Mendes teve o projecto de realização do filme sobre Sweeney Todd com Russell Crowe, mas felizmente desistiu em 2006. Digo felizmente porque acho que ninguém melhor do que Tim Burton adaptaria tão bem esta história para cinema, nem ninguém melhor do que Johnny Depp daria vida à personagem do sanguinário barbeiro.

Deste modo, das tesouras às navalhas, chega-nos uma nova personagem interpretada por Johnny Depp, o terrível barbeiro da Fleet Street, Sweeney Todd. Parecendo à primeira vista apenas mais um filme de Tim Burton, que nem sequer se preocupa em escolher novos actores – esta é a 6.ª participação de Johnny Depp em filmes de Tim Burton; sendo a 5.ª de Helena Bonham Carter, esposa do próprio realizador – os seus actores de elite provam uma vez mais a razão da sua preferência. É que Tim Burton decide realizar um musical e não precisa preocupar-se em mudar de actores, porque eles até servem para cantar… E cantam muito bem, ao contrário do que tenho por aí lido. Stephen Sondheim, cuja composição musical é absolutamente fantástica, participa no projecto do filme e ele próprio aprovou, depois de uma audição, a escolha dos actores.

Johnny Depp prova uma vez mais que é um grande actor, os papéis dos personagens dos filmes de Tim Burton são uma perfeita simbiose com Johnny Depp. De facto, é difícil imaginarmos outro actor a fazer os mesmos papéis com tanta perfeição. Sou, sem dúvida, uma grande fã de Johnny Depp e devo dizer que é com uma enorme satisfação que o tenho visto crescer no grande ecrã, desde a sua interpretação em Eduardo Mãos de Tesoura, o primeiro encontro entre Burton e Depp. Como refere Luís Miguel Oliveira (Público), «física e figurativamente, Sweeney é um Eduardo mais velho (com uma madeixa branca no cabelo preto), mais triste e mais violento, que se completa quando tem nas mãos uma navalha de barbear». Se esta interpretação não foi o auge (Depp foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Principal e recebeu o Globo de Ouro por Melhor Actor de Comédia/Musical), a próxima certamente me fará cair da cadeira.

Helena Bonham Carter interpreta o papel de Mrs. Lovett, cozinheira das piores empadas de Londres e cúmplice de Sweeney Todd. O filme conta também com os papéis de Sacha Baron Cohen (Borat), no papel do Signor Pirelli, e de Alan Rickman, o juiz corrupto.

Como refere Eurico de Barros, Sweeney Todd foi filmado «num negrume de carvão que infiltra a cidade e mancha os corações, só contrariado [pelas cores do passado feliz de Benjamin Barker e] pelos chuveiros de sangue das gargantas abertas pelo barbeiro». Deste modo, facilmente se percebe a progressão da terceira cor do filme: o vermelho do sangue, que invade a tela, contrastando com o preto e o branco dominantes, tornando os últimos vinte minutos do filme absolutamente inesquecíveis.





Para os interessados em prémios cinematográficos (que não influenciam em nada a minha preferência, daí referi-los em último lugar e a letras mínimas), Sweeney Todd, além da nomeação para Óscar de Melhor Actor Principal e Melhor Figurino, esteve nomeado para os Globos de Ouro nas categorias de Melhor Realizador Comédia/Musical e Melhor Actriz, e não só recebeu o Globo de Ouro de Melhor Actor, mas também de Melhor Filme Comédia/Musical.

Saudações de uma Comparsa

terça-feira, fevereiro 26, 2008

Instrumentos Musicais: o Oboé e o Clarinete;

"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Variando um pouco a tendência da exposição individual de cada instrumento, resolvi expor de uma só vez dois instrumentos cujo timbre é muito semelhante e que muitas dúvidas provoca na identificação auditiva de cada um. Tentarei clarificar-vos sobre as diferenças entre o clarinete e o oboé. Antes disso, algumas noções essenciais:
  • Timbre - Característica do som que nos permite distinguir fontes sonoras que produzem a mesma frequência. [ex. a nota Ré tocada numa Harpa tem a mesma frequência que a nota Ré (com altura semelhante) tocada numa Marimba, no entanto a diferenciação do instrumento é-nos permitida através do seu diferente timbre];
  • Instrumento Transpositor - Instrumento cuja nota escrita (na partitura) é diferente da nota verdadeira, isso por causa da afinação própria do instrumento; sendo assim é necessário que haja uma transposição de notas para que o referido instrumento toque no tom real da música;
E também o sistema de classificação dos instrumentos criado por Hornbostel e Sachs :
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
III - OBOÉ

Membro da classe dos Aerofones, o oboé é um instrumento de sopro pertencente à família das madeiras. Peculiar pela sua forma ligeiramente cónica este instrumento faz parte do grupo restrito de sopros que possui na embocadura uma palheta dupla. A palheta é constituída por duas lâminas encostadas uma à outra e fixadas na sua extremidade inferior por um tubo de metal e cortiça, que é posteriormente fixada na extremidade superior do oboé. O executante prende a palheta nos lábios e ao soprar faz com que as duas lâminas vibrem e batam uma na outra proporcionando-nos aquele timbre anasalado e encantador.
Sendo presença constante na orquestra, o oboé é também requisitado como instrumento solista.
Fiquem então com o tema "Gabriel's Oboe" composto e dirigido por Enio Morricone e que faz parte da banda sonora original do filme "The Mission" de 1986 protagonizado por Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson. De seguida poderão ver e ouvir o oboé num registo diferente interpretado pelo consagrado oboísta Jean- Luc Fillon, segue-se a abertura da suite do bailado "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky onde o oboé assume o destaque da melodia durante o primeiro minuto. Para terminar um pequeno slide de imagens sobre o oboé e os seus constituintes.






IV - CLARINETE

Também pertencente à classe dos Aerofones e à família dos sopros de madeira, o clarinete apresenta-se quanto à forma com um tubo mais cilíndrico. Mas a grande diferença em relação ao oboé consiste na palheta (a do clarinete é simples e incluída numa boquilha) e na extensão das notas (o oboé possui a menor extensão de notas entre os sopros, enquanto a clarinete, a maior) e no seu timbre que é mais grave e mais aveludado que o do oboé. Como referi anteriormente o clarinete tem uma embocadura de palheta simples, esta ao ser soprada faz com que a palheta vibre contra a boquilha. O clarinete (ao contrário do oboé) é um instrumento transpositor e ocupa posição de destaque nas orquestras actuais devido ao seu poder sonoro e à sua extensão de notas.
Existem vários tipos de clarinete distribuídos por diferentes afinações e tamanhos.
Da esquerda para a direita temos então a requinta, o clarinete soprano (2, 3 e 4), o clarinete alto, o basset horn, o clarinete baixo e o clarinete contrabaixo. Deixo-vos então com os vídeos: no primeiro poderão visionar um trio com clarinete, violoncelo e piano a interpretar a peça "Invierno Porteño" de Astor Piazolla; no segundo um sexteto a interpretar o célebre " Tico-Tico no Fubá" em três tipos de clarinete; o terceiro traz mais uma prestação dos Apocalypse Marimba Plus onde poderemos apreciar o registo do basset horn; para terminar uma verdadeira orquestra de clarinetes a interpretar a peça "Rikudim" do compositor belga Jan van der Roost.

Saudações de um Comparsa


sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Atonement - Expiação


Este filme, estreado entre nós durante o mês de Janeiro, é um bom exemplo da bela colheita cinematográfica deste ano.
Primeiramente apresentado no Festival de Veneza, o novo filme de Joe Wright (que nos trouxe em 2005 uma nova versão de “Orgulho e Preconceito”) é um dos grandes filmes deste novo ano, e ganhou o Globo de Ouro na categoria de Melhor Filme em Drama. Não há razões para menos, pois estamos perante um título de enorme poder visual e força narrativa, bem servido de excelentes interpretações.
Baseado no aclamado romance de Ian McEwan, Joe Wright agarra todo o potencial desta obra literária, e transforma-a num filme possuidor de uma qualidade temática invejável, muito bem complementada pela sua segura realização, vestida de momentos artísticos de grande relevância.
“Atonement” é um drama familiar e romântico que a dada altura se cruza com o filme de guerra e que mantém uma certa aura que apetece classificar como “clássica” mas que não o é de todo. Em termos narrativos, “Atonement” é muito menos linear do que seria previsível neste tipo de filmes. O tempo é bastante fragmentado, com vários flashbacks que repetem a mesma acção de perspectivas diferentes. Mas comecemos pelo princípio. "Atonement" tem dois momentos bem distintos. Na primeira parte estamos perante um filme de época à "Orgulho e Preconceito". Aqui deparamos-nos com as inquietações sociais de uma família da alta sociedade britânica. É tudo muito bem filmado e os cenários e a fotografia são exemplares. Depois entramos em algo que toca no campo da tragédia épica em tempos de guerra. Uma espécie de "Paciente Inglês", magistralmente filmado e interpretado e com um desfecho poderoso que vem dar todo um novo sentido à primeira parte.
Toda a narrativa é construída sobre personagens de enorme peso humano, e Keira Knightley volta a demonstrar o porquê de ser uma das mais importantes actrizes da actualidade, acompanhada do sólido James McAvoy (que alguns conhecerão da excelente série britânica “Shameless” da SIC Radical ou de “O Último Rei da Escócia”), um condenado inocente que carrega em si um pecado que não lhe pertence.
Dotado de uma experiente e inteligente realização, uma montagem carregada de suspense, um argumento excepcionalmente bem escrito e de prestações bem conseguidas, “Atonement” é desde já um dos grandes acontecimentos de 2008, onde há ainda lugar de destaque para a fabulosa banda sonora de Dario Marianelli, e para a fotografia de Seamus McGarvey, que capta tão sobriamente a ténue linha entre a esperança e o medo que as imagens nos revelam. Um pequeno conselho: estejam atentos a uma verdadeira lição de "como realizar um épico", no momento em que McAvoy chega à praia francesa de Dunquerque.
Numa semana como esta, tenho que referir as sete nomeações para Óscar que esta película arrecadou, incluindo Melhor Filme. É um filme que aconselho vivamente, que pode não ficar nos vossos preferidos (não ficou nos meus...), mas que toda a gente deve ver, pois isto é bom cinema!




quinta-feira, fevereiro 14, 2008

E os nomeados são...




Deixem as vossas previsões e preferências até dia 24. Bons filmes para todos.
Saudações de Um Comparsa

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford


Não é todos os dias que nos chega um filme como “O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford”, a segunda obra de Andrew Dominik.
Cruel assassino para uns, herói popular para outros, Jesse James é, aos 34 anos, um carismático criminoso acusado de ter morto pelo menos 17 pessoas. Em 1881 a maioria do gang original de Jesse James encontra-se morta ou presa. Para os seus golpes, Jesse e o seu irmão Frank recrutam os irmãos Ford: Charley e Robert, um ambicioso jovem de 19 anos que idolatra (e inveja) James...
Embora o filme não seja de um todo um veículo para os seus protagonistas, as prestações de Brad Pitt e Casey Affleck são tudo menos secundárias. Brad Pitt consegue compor um Jesse James de uma ambiguidade misteriosa, entre o cruel e o atencioso, o violento e o terno. Uma figura maior, que recordamos pela postura serena no mal e no bem. Já Casey Affleck é o actor do filme, que certamente revelará ao mundo o excelente actor que ele é. O seu Robert Ford é magnífico, acompanhando Jesse com um olhar embevecido e um sorriso lânguido, com um misto perfeito de ódio e amor. A sua expressividade é impressionante, sobretudo nos grandes planos.
A começar nas interpretações, passando pela realização e terminando na fotografia, O Assassínio de Jesse James Pelo Cobarde Robert Ford tem todos os condimentos para ser um dos melhores do ano. Quem tiver o intuito de ver o filme, por favor, não pense que vai visualizar muitas cenas de grande acção ou grandes perseguições, pois isso não se sucede. O olhar de Dominik incide nos mais pequenos pormenores, fornecendo ao espectador uma visão extraordinária sobre todos os elementos em cena, naquele que é um dos melhores exercícios dos últimos tempos sobre a importância do ambiente. A câmara demora-se, convida o espectador à contemplação. Dominik não tem qualquer problema em atrasar a acção, só para que possamos entrar na pele dos intervenientes. Esta película conquistou assim duas nomeações para os Óscares da Academia: para Melhor Fotografia (realmente notável do talentoso Roger Deakins) e, claro, para Casey Affleck na categoria de Melhor Actor Secundário (que vai competir com Javier Bardem, que tem açambarcado todos os prémios com o seu trabalho em No Country For Old Men).

Deslumbrante western que não o é, e um filme biográfico que está longe de o ser. Antes uma visão poética de um acontecimento marcante que recorre a imagens deslumbrantes, íntimas e intensas, e a interpretações notáveis. Como uma evocação do estreito elo entre crime e fama, esta película faz uma observação histórica da cultura americana e da sua obsessão com a celebridade. A forma: visualmente arrebatadora.






P.S. Esta é a altura em que os melhores filmes do ano chegam a Portugal. E todos ao mesmo tempo... Podemos encontrar nas salas nacionais Sweeney Todd de Tim Burton (Charlie e a Fábrica de Chocolate, Eduardo Mãos-de-Tesoura), Expiação de Joe Wright (Orgulho e Preconceito), No Vale de Elah de Paul Haggis (Crash), The Darjeeling Limited de Wes Anderson (Life Aquatic), Jogos de Poder de Mike Nichols (Closer) e O Lado Selvagem do conhecido Sean Penn. Nas próximas semanas, vão estrear aqueles que são, para mim, os filmes mais esperados do ano: There Will Be Blood de Paul Thomas Anderson (Magnolia, Boogie Nights) e também No Country For Old Men dos irmãos Coen (Fargo,The Big Lebowski). Outras estreias aguardadas são Michael Clayton do estreante Tony Gilroy, The Savages de Tamara Jenkins e do muito elogiado Juno, que eu já tive oportunidade de visionar...

Como podem ver, há neste momento películas de boa qualidade para todos os gostos. Com tempo, irei falar daquelas que já me passaram pelas mãos.

Saudações de Um Comparsa

quinta-feira, janeiro 24, 2008

The No Smoking Orchestra

Caros Comparsas

Zabranjeno Pusenje na antiga língua servo-croata, nasceu na cidade bósnia de Sarajevo há 27 anos uma das mais hilariantes bandas da actualidade.
Tendo sido desde o início uma banda irreverente e intervencionista que se apoiava na satirização dos políticos jugoslavos da era pós Tito, os The No Smoking Orchestra apadrinham em 1986 o elemento que posteriormente os catapultou para a fama e reconhecimento internacional: o realizador Emir Kusturica. Sem dúvida uma união perfeita já que participaram na banda sonora do filme "Gato Preto, Gato Branco" e compuseram a banda sonora do filme "A Vida é um Milagre" ,ambos realizados por Kusturica. Unindo a música tradicional cigana dos balcãs a uma espécie de rock/punk, os The No Smoking Orchestra fazem dos seus espectáculos ao vivo uma verdadeira paródia, contagiando toda a plateia com a sua originalidade, loucura, boa disposição e sentido de humor.
Liderada pelo irreverente vocalista Dr. Nelle Karajlic, a banda conta ainda, para além de Emir Kusturica, com o compositor e virtuoso violinista Dejan Sparavolo, e reúne ainda sonoridades de instrumentos como o acordeão, o saxofone, o sousafone.
Para ver e ouvir dia 25 de Janeiro no Coliseu do Porto e dia 26 de Janeiro no Coliseu dos Recreios em Lisboa. Fiquem com alguns vídeos.

Saudações de um Comparsa


domingo, janeiro 20, 2008

Som Nacional - Parte VI

No tão ansiado regresso desta rubrica, apresento três propostas completamente distintas da nova música portuguesa. Espero que gostem...

Sean Riley & the Slowriders

Este grupo conimbricense lançou no final de 2007, “Farewell”, o seu álbum de estreia. A força de Sean Riley & the Slowriders resulta da perfeita junção do próprio Sean Riley (voz e guitarra) com Bruno Simões (baixo) e Filipe Costa (órgão, harmónica e bateria). Sean Riley, um songwriter com uma maturidade invulgar para um estreante, coloca a força da sua composição na simplicidade das letras, nas guitarras acústicas e na intensidade dos elaborados arranjos criados pelos Slowriders. Baseando-se num estilo Folk-Rock, existiram desde logo associações imediatas a Bob Dylan, Tim Buckley e Leonard Cohen. “Farewell” é um disco coeso e inspirador onde todos os instrumentos parecem estar no lugar certo, o que nos vai fazer seguir este grupo com muita atenção nos próximos tempos.


Slimmy

Slimmy é o projecto do português Paulo Fernandes. “Beatsound Loverboy”, o seu primeiro álbum, tem ambição internacional e um som que de lusitano tem apenas o bilhete de identidade. Slimmy é natural do Porto, mas criou em Londres a sua maqueta de apresentação e que por sua vez conseguiu notoriedade por parte da imprensa Inglesa. Na sua primeira aventura discográfica, Slimmy explora o seu mundo distorcido e louco de tensão sexual e amorosa, com vocalizações estridentes e o uso de falsete, batidas explosivas e guitarras cheias de raiva. Uma mistura que combina estilos como o electro, rock, disco, house, techno e pop. Slimmy já conseguiu chamar a atenção de alguns meios norte-americanos tendo um tema na banda-sonora da série CSI Miami.


Donna Maria

Donna Maria são um trio da grande Lisboa com fortes influências da música electrónica e uma alma profundamente portuguesa bem patente no recurso a instrumentos tradicionais, como a guitarra portuguesa ou o acordeão. “Música para ser Humano" é o seu segundo álbum e marca a sua entrada numa editora multinacional. Autores de uma música onde fado e pop se confundem, os três músicos são acompanhados por convidados como Rui Veloso, Raquel Tavares, Rão Kyao, Júlio Pereira e Luís Represas. A voz é um importante trunfo dos Donna Maria, Marisa Pinto canta em português de maneira cativante e convincente. É uma vocalização que combina na perfeição com a junção de ambientes sonoros electrónicos com arranjos tipicamente lusos que só a guitarra portuguesa e o acordeão conseguem transmitir.




segunda-feira, janeiro 14, 2008

Eastern Promises - Promessas Perigosas


Com este seu novo filme, o realizador David Cronenberg prova que está em grande forma e prolonga o estudo sobre a violência iniciado com o igualmente extraordinário “Uma História de Violência”. Sempre com uma forma muito própria de contar a história, Cronenberg manteve o estilo neste filme. Focalização nas relações humanas, ética, honra e violência explícita.

A história situa-se na Londres dos dias de hoje e gira em torno de Anna Khitrova (Naomi Watts), uma parteira que socorre uma jovem de Leste que morre ao dar à luz. Decidida a encontrar a família da criança, Anna segue o rasto do diário que ela deixou e de um cartão encontrado no seu interior o que a conduz a um restaurante tradicional russo. Porém, vê-se subitamente envolvida numa rede de criminalidade em que todos usam máscaras para esconder a verdadeira identidade. E é aqui que Anna se cruza com o misterioso Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen), o motorista de uma das mais famosas famílias do crime organizado de Londres, com origem na Europa de Leste. A partir deste momento, várias vidas ficam no fio da navalha, numa angustiante cadeia de crimes e enganos que se desenrola através dos mais negros recantos desta família e da própria cidade de Londres.

É a história mais simples e violenta dos últimos tempos, mas é também bela e uma lição de perfeição absoluta nos mais variados níveis: realização, argumento e interpretação. Os actores estão soberbos, dos principais aos secundários e Viggo Mortensen tem aqui, provavelmente, a melhor interpretação da sua carreira, construindo uma personagem de carácter indefinido, abstracta, que ao circular entre os dois mundos, acaba por misturar comportamentos e sentires numa vertiginosa descida aos abismos da alma humana.

Há imagens e cenas em”Eastern Promises” que tão cedo não esquecerei e ainda bem que assim é, destacando-se a sequência da luta na sauna que é tão explicitamente brutal, como recheada de humor negro e brilhantemente filmada. Cronenberg no seu melhor, num dos melhores filmes dos últimos tempos.




domingo, dezembro 30, 2007

Nip/Tuck

Sexo. Sedução. Lipoaspiração. Pode encontrar tudo isto em Nip/Tuck, uma série destemida e galardoada que pode não ser uma das séries da moda mas é, sem dúvida, uma das séries do momento.
Nip/Tuck explora o lado obscuro das cirurgias plásticas, o doloroso e, por vezes, violento caminho que leva as pessoas a procurar a beleza exterior.
Sean McNamara e Christian Troy são dois cirurgiões plásticos de sucesso em Miami, forçados a enfrentar crises de meia-idade em que se misturam problemas familiares, profissionais e amorosos. Enquanto Christian parece adorar o seu estatuto de homem bem sucedido e todas as mulheres que este lhe proporciona, Sean sente que os anos que dedicou intensamente ao trabalho lhe custaram o distanciamento da sua mulher e filhos. Embora pareça à partida ambientada num mundo desinteressante, Nip/Tuck é uma das séries de maior impacto do momento. Ambição, mentiras, sexo, são alguns dos ingredientes que desta série que nos mostra a complexidade e a insegurança do mundo da cirugia plástica, através de histórias e episódios muito arriscados e uma estética nunca vista, revelando-nos de forma dramática a complexa e frágil natureza humana de certos pacientes que tentam mascarar as suas debilidades psicológicas graças a modificações no seu aspecto físico.
Esta provocante série é uma das mais elogiadas pela crítica americana e conquistou um Globo de Ouro para a Melhor Série Dramática e vários Emmys.
Se ainda não conhecem, espreitem porque vale a pena. Eu já vou na 4ª temporada...
Saudações de um Comparsa