segunda-feira, janeiro 14, 2008

Eastern Promises - Promessas Perigosas


Com este seu novo filme, o realizador David Cronenberg prova que está em grande forma e prolonga o estudo sobre a violência iniciado com o igualmente extraordinário “Uma História de Violência”. Sempre com uma forma muito própria de contar a história, Cronenberg manteve o estilo neste filme. Focalização nas relações humanas, ética, honra e violência explícita.

A história situa-se na Londres dos dias de hoje e gira em torno de Anna Khitrova (Naomi Watts), uma parteira que socorre uma jovem de Leste que morre ao dar à luz. Decidida a encontrar a família da criança, Anna segue o rasto do diário que ela deixou e de um cartão encontrado no seu interior o que a conduz a um restaurante tradicional russo. Porém, vê-se subitamente envolvida numa rede de criminalidade em que todos usam máscaras para esconder a verdadeira identidade. E é aqui que Anna se cruza com o misterioso Nikolai Luzhin (Viggo Mortensen), o motorista de uma das mais famosas famílias do crime organizado de Londres, com origem na Europa de Leste. A partir deste momento, várias vidas ficam no fio da navalha, numa angustiante cadeia de crimes e enganos que se desenrola através dos mais negros recantos desta família e da própria cidade de Londres.

É a história mais simples e violenta dos últimos tempos, mas é também bela e uma lição de perfeição absoluta nos mais variados níveis: realização, argumento e interpretação. Os actores estão soberbos, dos principais aos secundários e Viggo Mortensen tem aqui, provavelmente, a melhor interpretação da sua carreira, construindo uma personagem de carácter indefinido, abstracta, que ao circular entre os dois mundos, acaba por misturar comportamentos e sentires numa vertiginosa descida aos abismos da alma humana.

Há imagens e cenas em”Eastern Promises” que tão cedo não esquecerei e ainda bem que assim é, destacando-se a sequência da luta na sauna que é tão explicitamente brutal, como recheada de humor negro e brilhantemente filmada. Cronenberg no seu melhor, num dos melhores filmes dos últimos tempos.




domingo, dezembro 30, 2007

Nip/Tuck

Sexo. Sedução. Lipoaspiração. Pode encontrar tudo isto em Nip/Tuck, uma série destemida e galardoada que pode não ser uma das séries da moda mas é, sem dúvida, uma das séries do momento.
Nip/Tuck explora o lado obscuro das cirurgias plásticas, o doloroso e, por vezes, violento caminho que leva as pessoas a procurar a beleza exterior.
Sean McNamara e Christian Troy são dois cirurgiões plásticos de sucesso em Miami, forçados a enfrentar crises de meia-idade em que se misturam problemas familiares, profissionais e amorosos. Enquanto Christian parece adorar o seu estatuto de homem bem sucedido e todas as mulheres que este lhe proporciona, Sean sente que os anos que dedicou intensamente ao trabalho lhe custaram o distanciamento da sua mulher e filhos. Embora pareça à partida ambientada num mundo desinteressante, Nip/Tuck é uma das séries de maior impacto do momento. Ambição, mentiras, sexo, são alguns dos ingredientes que desta série que nos mostra a complexidade e a insegurança do mundo da cirugia plástica, através de histórias e episódios muito arriscados e uma estética nunca vista, revelando-nos de forma dramática a complexa e frágil natureza humana de certos pacientes que tentam mascarar as suas debilidades psicológicas graças a modificações no seu aspecto físico.
Esta provocante série é uma das mais elogiadas pela crítica americana e conquistou um Globo de Ouro para a Melhor Série Dramática e vários Emmys.
Se ainda não conhecem, espreitem porque vale a pena. Eu já vou na 4ª temporada...
Saudações de um Comparsa

terça-feira, novembro 27, 2007

Instrumentos Musicais: A Harpa

"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Dando continuidade a este entusiasmante novo tipo de voo, acho pertinente clarificar-vos sobre o significado de alguns termos que serão frequentemente usados:
  • Caixa de Ressonância - Câmara cheia de ar, com formatos variados que serve principalmente para reforçar a intensidade sonora;
  • Altura Definida ou Determinada - Significa que as sons desses instrumentos poderão ser sempre afinados de acordo com as escalas musicais predefinidas e representar as notas comuns;
  • Altura Indefinida ou Indeterminada- Significa que os sons desse instrumento não podem ser afinados, nem representar as notas comuns (Dó, Ré etc...), limitando-se, numa partitura, à representação de figuras rítmicas;
Já agora, recordo o sistema de classificação dos instrumentos criado por Hornbostel e Sachs :
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
II - HARPA
Harpa é um nome genérico que se dá a todos os cordofones que possuem as cordas num plano perpendicular ao do tampo da caixa da ressonância.
Tratando-se de um dos instrumentos mais antigos do mundo, existem duas categorias: as harpas de caixilho e as harpas abertas, cuja grande diferença é a existência de um pilar ou coluna nas harpas de caixilho que liga a área da caixa de ressonância à consola; as harpas abertas não possuem a coluna, portanto costumam ser arqueadas (lira, harpa africana), como poderão comprovar na imagem em baixo que relaciona a evolução da harpa com a evolução do homem.
A harpa é interpretada através da técnica do dedilho, o que significa que o som é produzido pela vibração das cordas quando accionadas pelos dedos do harpista. Apesar dos vários tipos e feitios a mais vulgar e moderna é a harpa de caixilho ( imagem ao lado) que é constituída por cinco grandes partes: coluna ( pelare), caixa de ressonância( resonansbotten), o conjunto de cordas (strängar), a consola (stämnaglar) e o pé com pedais ( fotpedaler ). O conjunto de cordas(47 no total) encontra-se ligado à consola e é recebido na sua parte inferior pela caixa de ressonância que se encarrega de amplificar o som produzido pela vibração das mesmas.


Nos videos que se seguem, poderão assistir à interpretação de variados estilos musicais em harpas de caixilho desde samba a jazz, de música tradicional a música clássica.


Saudações de um Comparsa


terça-feira, novembro 20, 2007

Control

Estreou em Portugal na passada quinta-feira, dia 15, a tão esperada película "Control", acerca da vida de Ian Curtis, vocalista e líder da mítica banda de Manchester dos anos 80, Joy Division.

Anton Corbijn transportou para a tela, a história biogáfica de Ian Curtis, baseada na biografia, "Touching From A Distance", escrito pela viúva do líder da banda, Deborah Curtis, passados 15 anos após o seu trágico suicídio.


Para poder transmitir a carga emocional e a atmosfera misteriosa, encantadora e poética que envolve esta mítica personagem do rock (se assim lhe quiserem chamar), há que transportar o leitor umas décadas atrás, à cidade de Manchester, em Inglaterra.

Em 1977 , Manchester era uma cidade cinzenta, essencialmente industrial e de paisagem claustrofóbica, onde já fervilhava a vanguarda que iria herdar o punk e trazê-lo de volta ao mundo no formato new-wave.

No mesmo ano actua no Electric Circus, a banda que viria a ser a futura Joy Division, mas que na altura subia ao palco sob o nome de Warsaw (nome esse, retirado da música “Warszawa” do LP “Low” de David Bowie). Os elementos da banda apresentavam-se de cabelo curto, camisa abotoada e dentro de umas calças pretas à anos 40 – uma imagem consideravelmente invulgar, contrastando com as jeans rasgadas e o spiky-hair de uns Sex Pistols- (relembro o leitor que no ano de ’77 eclodia o punk-rock na capital inglesa.)

Em 1978, a banda toca no Factory Club, (onde nasceram os controversos Happy Mondays), do famoso e recentemente falecido jornalista Tony Wilson, que foi o responsável pela divulgação do punk/ new wave inglês, e apresentador do lendário programa “So It Goes”, onde se estrearam diversas bandas da época como os Buzzcocks. (Para os leitores interessados na história do Factory Club e das bandas que por lá passaram aconselho o fantástico filme, “24 Hours Party People”.)

Depois desta actuação que mostrava mais uma banda vulgar, os Joy Division trabalharam imenso o seu som e performance: Peter Hook e Bernard Sumner tornaram os gemidos das suas guitarras numa melodia que havia de se tornar a base e o ex-líbris da sua música, acompanhados pelas batidas distantes e secas de Stephen Morriss e pelo romantismo original e intimista da voz de Curtis. O mito tinha acabado de nascer e ninguém imaginaria o que estava para acontecer.

Após travarem conhecimento com o genial produtor Martin Hannett, lançam o primeiro LP “Unknown Pleasures”, recebido de forma brilhante pela imprensa e que fez catapultar a banda do anonimato para a estante das bandas de culto de Inglaterra.

Tornavam-se um culto e uma moda para os meios estudantis. Em 1979 saêm os singles que ainda hoje ecoam em qualquer bar de “rock”: “Transmission” e “Atmosphere”, (cujo videoclip também fora realizado por Anton Corbijn).

Miguel Esteves Cardoso, (que na altura se encontrava a estudar em Manchester e que colaborava e escrevia para a revista “Música e Som”) diz-nos: “Ao vivo, os Joy Division tinham sobretudo a força da sua convicção incrível – aquela soturnidade introspectiva, a loucura demasiado franca de Ian Curtis, e, acima de tudo, a sensação de solidão da banda (em relação ao público e, depois, a tudo) eram demasiado fortes para serem assimiladas como um mero e divertido espectáculo Rock.” (in Escrítica Pop, de M.E. Cardoso).

Em vésperas de uma tourné pela América, Curtis é encontrado pela sua mulher ajoelhado no chão da cozinha de sua casa em Macclesfield com uma corda ao pescoço. Era 18 de Maio de 1980 e cumpria-se assim o mito romântico do artista/herói perturbado: mais uma morte prematura na cultura rock.

O resto explica-se facilmente. Nascem os New Order como a banda órfã de Curtis, vingando a sua música na cena electrónica que desabrochava nos anos 80, com a entrada em força dos sintetizadores na criação de sons e batidas.


Regressando ao filme “Control”, este ilustra a preto e branco o percurso de Ian Curtis desde a sua juventude em que sonhava ser um Bowie ou até mesmo um Morrisson até ao dia 18 de Maio de 1980. Não se desanimem os leitores pelo facto de eu poder ter estragado qualquer efeito surpresa do filme! Pois esta película não se trata de contar uma história, pois essa já toda a gente a sabe!, mas sim, ilustrar e documentar para a prosperidade o “mito Ian Curtis” e relatar/ desvendar o que atormentou o vocalista que dividia o seu amor por duas mulheres.(!)

Do ponto de vista pessol, e como é óbvio, adorei o filme. Apesar de já saber o que esperar da história entrei na sala ansiosa e saí de lá abatida. Inevitável. Corbijn fez um excelente trabalho e adorei o facto de ter optado por uma tela a preto e branco, remetendo-nos naturalmente para uma história do “passado”, escondida e cheia de “pó”. É um filme arrepiante e tenso , em que por vezes o humor por parte das personagens da banda, nos descontrai momentaneamente.

Para os fãs da banda é um filme imperdível, obrigatório e essencial. Para os desconhecedores da banda é um filme que vale a pena e que mesmo assim é capaz de vos prender, tocar e fazer apaixonar.

O rock perdeu muito cedo um dos seus mais belos príncipes. É um reinado que irá continuar (será que ainda continua?), mas nunca mais será (/foi) o mesmo.


Instrumentos Musicais: A Marimba


"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"

Sophia Domancich


Caros Comparsas

Como forma de oferendar este maravilhoso espaço que completou uma ano de existência há uma semana, decidi criar um novo tipo de voo, a Organologia, que irá abranger o estudo dos Instrumentos musicais. Espero com isto poder contribuir para o desenvolvimento da vossa literacia musical, proporcionando-vos agradáveis novidades e surpresas.
Para começar, é essencial apresentar-vos a classificação dos instrumentos (sistema criado por Erich von Hornbostel e Curt Sachs) constituída por cinco categorias principais:
  • Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
  • Membrafones - Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
  • Aerofones - Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
  • Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
  • Electrofones - Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
I - MARIMBA
A Marimba é um Idiofone de altura definida (significa que as notas do instrumento podem ser afinadas de acordo com as escalas definidas) e é também considerado um instrumento de percussão. Muito semelhante a um Xilofone, a Marimba tem, no entanto, um som mais grave, umas lâminas mais compridas e largas, mas mais finas e tem uma caixa de ressonância constituída por tubos ( característica que mais a diferencia do Xilofone). A técnica de execução consiste no uso de duas a seis baquetas de lã ou feltro que ao percutirem as lâminas, provocam a sua vibração que ressoa através dos tubos ( as marimbas africanas tradicionais têm cabaças como caixa de ressonância) , proporcionando-nos um timbre maravilhoso.
Nos vídeos disponibilizados em baixo poderão assistir ao desempenho dos Marimba Ponies, um grupo de crianças japonesas que privilegia as marimbas como as construtoras principais da harmonia e melodia da música que interpretam ( a canção natalícia Sleigh Ride de Leroy Anderson e o clássico " A Primavera - 1º andamento" das Quatro Estações de Antonio Vivaldi). No terceiro vídeo deslumbrem-se com a música dos moscovitas Apocalypse Marimba Plus, que unem a Marimba a instrumentos de sopro ( trombone, trompa,tuba, trompete), a um violoncelo, a uma bateria e a um baixo, produzindo assim uma harmonia tenebrosa que chega a ser hilariante. Por último no quarto vídeo, apesar de não fazer ideia nenhuma sobre a identificação dos intérpretes( orientais são com certeza), o objectivo principal será mostrar-vos a execução da peça Xylophonia, escrita por Joe Green, na qual poderão diferenciar o timbre das Marimbas e de um Xilofone, que no caso é o instrumento solista.

Saudações de um Comparsa



terça-feira, novembro 13, 2007

Um ano a voar!

Há exactamente um ano, o Falcão e Comparsas fazia o seu baptismo de voo. Depois de 365 dias, 60 posts e mais de 10.000 visitas, acho que posso afirmar que o saldo é positivo. Pretendia a divulgação dos nossos gostos, a partilha daquilo que achávamos que os outros também mereciam conhecer e isso foi conseguido. Após um (natural) entusiasmo inicial, o Falcão passou por um período de voo rasante (especialmente durante os meses de Verão), mas agora está de novo na ribalta e pronto para voos cada vez mais altos. Estamos de volta com nova imagem e com várias novidades na barra lateral (espreitem...), sempre no sentido de melhorar a qualidade deste espaço, e agora também com o intuito de dar a conhecer um pouco da nossa terra.
Resta-me agradecer a todos os Comparsas que me têm acompanhado nesta aventura, mas também aos nossos visitantes, especialmente aos que se dão ao trabalho de comentar e que valorizam a nossa dedicação. Um bem haja!

Por fim, podem ver aqui e agora todos os voos do Falcão e procurar algum que vos tenha escapado...

Saudações de Um Comparsa


sexta-feira, outubro 26, 2007

Almost Famous - Quase Famosos

É um daqueles filmes que ficam, que vemos repetidamente e não nos cansamos. “Almost Famous” é um retrato nostálgico e tocante mas sempre bem-humorado, sobre o mundo do jornalismo e do Rock and Roll dos anos 70. O filme de Cameron Crowe é uma película sobre um grupo de música que nunca existiu (os “Stillwater”), mas é, simultaneamente, um filme autobiográfico do realizador.

O filme passa-se no início da década de 70. William Miller, um adolescente de 15 anos, é um aspirante a jornalista de Rock and Roll desde que ouviu “Sparks” dos «The Who» e descobriu e se apaixonou pela Música. Depois de escrever artigos sobre música para um jornal de bairro, acaba por receber um convite inesperado da consagrada revista "Rolling Stone", que o encarrega de fazer uma reportagem sobre os “Stillwater”. O seu trabalho é capturar aquele momento muito especial, único e irrepetível no mundo da música, em que uma banda quase desconhecida está a um passo de se tornar famosa. “Almost Famous” é a história dessa reportagem que se vai desenrolando durante uma tournée dos “Stillwater”. Mas nessa espantosa viagem pelo país real, William vai passar de repórter neutral e objectivo, a observador participante na dinâmica do próprio grupo. Os “Stillwater”estão no limiar do sucesso, mas William, aos 15 anos, está a viver um momento mágico da sua vida.

Ao contrário da maioria dos realizadores de filmes sobre o mundo do rock, que só o conheceram enquanto espectadores de concertos, Cameron Crowe, antes de ser cineasta e de ter feito “Almost Famous”, foi o mais jovem jornalista de rock americano, tendo-se tornado nos anos 70, num dos nomes de destaque da "Rolling Stone". Não admira, portanto, que “Almost Famous”, onde Crowe foi beber às suas memórias de jovem jornalista, e cuja personagem principal é o seu «alter ego», desminta todos os estereótipos do excesso, da revolta e da auto-destruição típicos dos filmes sobre bandas rock. Crowe consegue falar de sexo, drogas e Rock and Roll num tom e a uma escala «normal», que tudo humaniza, tudo desmitifica e tudo torna credível à primeira impressão.

Os actores são, sem excepção, sublimes, nos papéis principais e secundários. De Billy Crudup a Jason Lee, de Patrick Fugit a Kate Hudson, passando por Philip Seymour Hoffman e, claro, a grande Frances McDormand. E os fãs dos gloriosos anos 70 podem recordar na banda sonora temas dos «Led Zeppelin», «The Who», «Elton John», «Black Sabbath», «Yes», «Simon and Garfunkel», «The Beach Boys», «David Bowie», entre muitos outros nomes que fizeram história.

Ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original, além de ter recebido outras 3 nomeações: Melhor Actriz Secundária (Frances McDormand e Kate Hudson) e Melhor Edição. O Argumento de “Almost Famous”, escrito por Cameron Crowe, é baseado nas suas memórias de quando acompanhou parte da tournée americana dos «Led Zeppelin». Aliás, os “Stillwater” são uma mistura de três grupos que o realizador Cameron Crowe adorava: «Led Zeppelin», «Allman Brothers» e «Lynyrd Skynyrd».

Se nunca viram, procurem ver e deliciem-se com esta carta de amor de Cameron Crowe ao Rock and Roll.

“What do you like more about music?”

“Everything…”



sexta-feira, outubro 05, 2007

Jeff Buckley

Foi há já dez anos que desapareceu uma das melhores vozes do rock dos anos 90.
O cenário é a cidade de Memphis. Jeff Buckley e Keith Foti, amigo e roadie, caminham em direcção a um estúdio onde têm encontro marcado com a banda. Jeff, sempre desafiante, entra nas águas do Wolf River com a roupa vestida e as botas calçadas, apesar dos receios e avisos de Keith. Num rádio portátil pode ouvir-se «Whole Lotta Love» dos Led Zeppelin. Jeff Buckley entoa a letra em voz alta e brinca com a forma própria de Robert Plant cantar. Keith tenta afastar o rádio para evitar que seja danificado pelas ondas provocadas pelos barcos que por ali passam. Quando se vira, já não vê Jeff. Naquela altura só as luzes da cidade iluminam as tristes águas do Wolf River. O corpo de Jeff Buckley é encontrado seis dias depois. O homem que sabia demasiado acerca da vida e do amor havia sucumbido prematuramente de forma trágica e tornava-se num mito para uma geração.

Jeff é filho de Tim Buckley, músico folk que abriu os braços ao jazz e que abandonou Jeff quando este tinha ainda poucos meses. Tim viria a falecer quando Jeff tinha oito anos por overdose de heroína. A sua mãe, Mary Guibert, era uma pianista e violencelista com formação clássica. Jeff cresceu rodeado de músicos e aprendeu música de forma autodidacta desde que descobriu a guitarra da sua avó quando tinha apenas cinco anos. Desde cedo começou a ouvir Led Zeppelin, Jimi Hendrix e The Who e compôs a sua primeira canção aos treze anos.
Estudou no Musician`s Institute de Los Angeles. Desde que saiu de casa aos 17 anos, passou por diversas bandas de rock antes de começar uma carreira a solo, chamando a atenção do público pela primeira vez num tributo ao seu pai. Assina contrato com a Columbia Records e “Grace” é editado em 1994 tendo excelentes críticas junto da imprensa especializada. Visto como ambicioso por uns, obra de génio por outros, mas fundamental para deixar o nome de Jeff Buckley entre os mais influentes da música de 90. Tudo devido à sua composição e interpretação singulares e pela originalidade descoberta na confluência de referências que apresentou a uma geração que as desconhecia. Buckley viria a desaparecer em 1997, quando trabalhava no seu segundo álbum, que nunca conseguiria terminar. As canções inacabadas foram editadas num álbum duplo pela sua mãe com o título “Sketches(For My Sweetheart the Drunk)” em 1998. Continuaram depois a editar álbuns póstumos com material recuperado de concertos e gravações privadas. A vida e carreira de Jeff Buckley, vão ser imortalizadas no cinema sob o título "Mystery White Boy" e está previsto que chegue às salas em 2009.

Aqui fica a homenagem a este grande músico, que com um disco apenas conseguiu consagrar-se como uma das vozes dos anos 90 e que continua a conquistar fãs, dez anos após a sua morte.

P.S. Não consegui colocar aqui alguns dos clips dos singles, porque a SONY não permite que sejam visionados fora do Youtube... Podem ver apenas o vídeo oficial de "Last Goodbye" e o resto são actuações ao vivo e tributos de fãs.


sexta-feira, agosto 10, 2007

quarta-feira, julho 25, 2007

Life On Mars

Esta série com o carimbo de qualidade da BBC, é neste momento a produção televisiva mais popular em terras de Sua Majestade.

“Life On Mars” é uma mistura de policial com ficção científica e é uma proposta refrescante de 16 episódios (em duas temporadas de 8), o número exacto que os seus autores precisavam para contar a história que tinham na cabeça, não se arrastando indefinidamente como muita boa série que por aí anda.

O arranque deu para ficar agarrado: a série começa como um policial normal, moderno, até ao momento em que o protagonista, o Detective Sam Tyler, em plena angústia provocada pelo rapto da namorada, é atropelado por um carro... e, para grande espanto seu, acorda em 1973. O iPod que tinha no carro e onde “Life on Mars” de David Bowie tocava, é agora um auto-rádio com cartuchos... numa viatura que parece saída de um episódio de Starsky and Hutch. Sem saber como, o polícia refinado dos anos 2000 foi parar aos politicamente incorrectos 70s, repletos de polícias machistas e brutos... com os quais vai ter de trabalhar. Ele não entende nada e nós também não. Sem saber se está louco, se está em coma e tudo se passa no seu subconsciente ou se de facto viajou no tempo, Sam tenta descobrir o que aconteceu enquanto é obrigado adaptar-se à sua nova realidade. Na Manchester de 1973, ele também é um policia e tem que aprender a fazer o seu trabalho de investigação num mundo sem telemóveis, registos de impressões digitais, exames de DNA e coisas desse tipo. Por outro lado, tenta desvendar, no passado, algumas pistas sobre o paradeiro da sua namorada, no presente.

A produção é óptima, o mistério está bem montado, a reconstituição de época é detalhada à mais ínfima textura, a banda sonora tem o melhor que se fez naquela época e as interpretações são da qualidade habitual da BBC.

Nos vídeos, podem ver os trailers e o arranque da série. De certeza que vão gostar, por isso podem encontrar os episódios aqui.