terça-feira, dezembro 20, 2011

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Feliz Natal!




Alguns estiveram lá ;)

terça-feira, outubro 12, 2010

Erika Stucky, no Teatro Municipal da Guarda

Na próxima sexta-feira, dia 15 de Outubro, às 21h30, sobe ao pequeno auditório do Teatro Municipal da Guarda a cantora e acordionista Erika Stucky. Para mais informações sobre a Erika, sugiro uma visita ao blogue do TMG.


Saudações!

terça-feira, setembro 14, 2010

Da história do AVATAR

Nos últimos dias tive a oportunidade de ver o filme Avatar, no meu computador e, naturalmente, sem ser a 3 dimensões. A propósito do filme haviam sido partilhadas comigo opiniões de que era uma história pobre, uma simples história de amor entre um humano e uma nativa de outro planeta, mas com grandes efeitos especiais, só valendo a pena vê-lo a 3D...

Não o ter visto no cinema com os óculos especiais, talvez me tenha feito ver o filme para além das 3 dimensões. Vi um filme com uns efeitos e imagens deslumbrantes e, ao mesmo tempo, um filme com um argumento cuja mensagem é bastante profunda, incidindo na desprezível forma como o ser humano trata a NATUREZA, ou seja, a sua própria VIDA... É necessário sabermos coexistir com a natureza - a nossa mãe, o nosso lar, o nosso "deus" criador. É ela que nos dá a vida, a morte, que nos alimenta, nos transforma, nos castiga...

Além disso, é necessário vermo-nos uns aos outros... Vermo-nos para além da carcaça que nos protege e na qual habitamos. Caminhamos cegamente para o Admirável Mundo Novo do Huxley: valoriza-se o culto do corpo, a aparência, os espelhos... em detrimento do pensamento, dos sentimentos... E esquecemo-nos de ver para lá do olhar... O AVATAR vale mesmo a pena ser visto para lá do olhar!



A propósito, além de aqui deixar o trailer do filme, lembro a excepcional canção de Roger Waters: «No tears to cry, no feelings left, the species has amused itself to death...».



Agora, sim, estou pronta para ver o filme em 3D. Alguém me pode dizer como faço?

Saudações de uma comparsa!

domingo, julho 11, 2010

Tramolha Musical


Na noite do próximo Sábado, dia 17 de Julho, na zona histórica da bicentenária cidade de Pinhel, vão decorrer as actuações dos Velha Gaiteira e Sex Ianuae, grupo pinhelense onde pontificam alguns dos nossos Comparsas... Vai haver também animação com concertinas e feira/mostra de velharias e artesanato.
Prevê-se uma bela noite de folia, animação e boa música...
Apareçam!!!









Velha Gaiteira - Antigo Baile Agarrado (ao vivo)



Sex Ianuae - A Morte saiu à rua (ao vivo)



Saudações de um Comparsa!

quarta-feira, junho 23, 2010

Concerto de Casta Way

Caros Comparsas,
O Bar a Fábrica da cidade Falcão tem feito um esforço louvável para preencher uma das lacunas culturais da nossa cidade: a escassa oportunidade de assistir a concertos. No próximo sábado, dia 26 de Junho, teremos a oportunidade de ver e ouvir os Casta Way, uma jovem banda de rock da Covilhã.
Apareçam! Actividades desta natureza devem ser apoiadas!

Actualização: Parece que o comparsa Augusto nos vai dar música a seguir ao concerto! Já que nos deixou de dar música neste espaço, temos uma grande oportunidade para o rever. 


Saudações de uma comparsa!

sexta-feira, maio 28, 2010

Europa, querida Europa


Segundo a mitologia grega, Europa era uma jovem princesa, filha de Agenor, rei da cidade de Sídon ou de Tiro, antiga cidade fenícia no Líbano. Um dia brincava com as suas companheiras na praia, quando Zeus a viu. Zeus, apaixonado pela sua beleza, transformou-se num touro de resplandecente brancura e cornos semelhantes a duas luas na fase de quarto crescente. Aproximou-se da jovem e deitou-se aos seus pés. Primeiro, Europa assustou-se, mas rapidamente tomou coragem e acariciou o animal, sentando-se sobre o seu dorso. De imediato, o touro levantou-se e correu em direcção ao mar, avançando por entre as vagas e afastando-se da margem...
Raptada por Zeus e depois de ter atravessado o Mediterrâneo, Europa chegou a Creta e aí ficou para sempre, dando o seu nome ao novo continente. Acabou por se apaixonar por Zeus e dessa união nasceu Minos, o lendário rei de Creta, pai de Ariadne.
Foram feitas muitas representações iconográficas do rapto de Europa. Este episódio foi, aliás, escolhido para decorar a moeda grega de 2 euros. E, além disso, serve de mote à canção Europa, querida Europa de Fausto, apresentada no vídeo abaixo.


Antes de começar a escrever este artigo, tinha em mente fazê-lo sobre o Fausto (de raízes beirãs, mais propriamente de Vila Franca das Naves). No entanto, parece-me que o Fausto dispensa apresentações. Pelo menos devia..., uma vez que é um dos melhores músicos portugueses, ainda que seja tão pouco reconhecido pelo nosso público. Na verdade, não tem o reconhecimento que merece.
Decidi então prestar uma pequena homenagem a este grande escritor de canções. Prova disso é, sem dúvida, esta Europa, querida Europa...
Saudações de uma comparsa!
Bibliografia: GRIMAL, Pierre - Dicionário da mitologia grega e romana. Algés: Difel, 1999. Iconografia: RUBENS - O rapto de Europa.

terça-feira, maio 11, 2010

11.º Festival Intercéltico de Sendim

Caros comparsas,
Já está disponível o cartaz do Festival Intercéltico de Sendim de 2010:


Saudações de uma comparsa!

terça-feira, maio 04, 2010

Ágora, de Alejandro Amenábar


O filme Ágora de Alejandro Amenábar recria minuciosamente um dos períodos mais importantes da história da humanidade: a expansão do cristianismo. Na antiga cidade de Alexandria coabitam três religiões: o paganismo, o cristianismo e o judaísmo. E se hoje podemos assistir ao mau estar criado pelas diferentes religiões espalhadas pelo mundo, imaginem o ambiente vivido no séc. IV na cidade de Alexandria... É difícil de imaginar, de facto. Mas também não é necessário, porque o filme Ágora recria fidedignamente esse período.
O filme mostra-nos o confronto entre a antiga religião do império romano, devota aos vários deuses, e o cristianismo; a afirmação do cristianismo como nova religião; a perseguição aos judeus; o descrédito da ciência em favor da religião; a destruição da biblioteca de Alexandria, com os livros antigos, em formato de rolo, queimados, uma vez que estes eram considerados símbolos e veículos da cultura e da religião pagã; e, fundamentalmente, o desvirtuamento da condição e do estatuto social da mulher, através da figura central do filme: a filósofa Hipátia, excepcionalmente protagonizada pela actriz britânica Rachel Weisz.
Hipátia foi uma filósofa extremamente importante. Sempre à frente do seu tempo, lutou para unir a humanidade, convicta naquilo que mais defendia: a ciência. Não obstante, acabou por ser contestada pelos cristãos, fiéis leitores e seguidores da Bíblia: «Então descobri que a mulher é mais amarga do que a morte, porque ela é uma armadilha...» (Eclesiastes 7, 26); «Foi pela mulher que começou o pecado e é por culpa dela que todos morremos» (Eclesiástico 25, 24); «Eu não permito que a mulher ensine ou domine o homem» (Timóteo 2, 13).
Ágora recria assim, historicamente, os últimos anos da filósofa Hipátia e retrata tempos de intolerâncias religiosas e de escassa liberdade de expressão. Como refere o realizador, «o filme é contra a intolerância e alerta para aqueles que, nos dias de hoje, ainda estão dispostos a matar pelas suas ideias».
De salientar o trabalho de recriação e caracterização da época. Podia chamar a atenção para muitos pormenores, chamo especificamente para o uso das antigas tabuinhas de cera, suporte de escrita usado logo na primeira cena com a filósofa, onde podemos ver os seus alunos a tomar anotações nesse suporte; também de realçar o antigo formato do livro antigo a ocupar as estantes da biblioteca de Alexandria: o rolo. O único formato do livro actual que aparece no filme é a Bíblia e, na verdade, os cristãos foram de certa forma responsáveis pela expansão deste novo formato, em detrimento do rolo, visto como símbolo da cultura pagã.
É tradição deste blogue elegerem-se os melhores filmes de cada ano. Não foram eleitos ainda os de 2009, mas eu atrevo-me a apontar este como um dos melhores, sem dúvida. Para quem ainda não teve a oportunidade ou a curiosidade de ver, aconselho vivamente.


Saudações de uma comparsa!

segunda-feira, abril 19, 2010

Gnomon


Gnomon é a palavra universal para designar o ponteiro do relógio do sol e, além disso, dá nome a um singular projecto musical português, com sede na vila de Joane, no distrito de Braga.

O projecto foi criado em 2003, pelos jovens Carlos Ribeiro (guitarra clássica e braguesa) e Tiago Machado (guitarra clássica/eléctrica e bandola), aos quais se juntaram Rui Ferreira (piano e acordeão), Carlos Barros (percussão), David Leão (flauta transversal, gaita de foles e flautim), Pedro Oliveira (bateria), Carla Carvalho (voz) e Bruno Rodrigues (baixo).

Em 2007, saiu o EP de estreia e regressaram, em 2009, com o seu primeiro álbum oficial "Jardim de ferro", gravado com a colaboração de vários artistas portugueses e espanhóis: Tocá Rufar, Dudas, Eleonor Picas, Ensemble de Gaitas de Foles do Conservatório de Vigo, José Perdigão, Hugo Correia e Artur Fernandes. O álbum é composto por 11 temas e tem como single de promoção “Um tempo de por ti ser”.

É notória a capacidade que estes jovens músicos têm em se regerem não só pelo relógio moderno, mas também pelo instrumento antigo que media o tempo, ao cruzarem ao mesmo tempo as raízes da música tradicional portuguesa com o jazz e a música contemporânea, criando, assim, um estilo particular de extraordinária qualidade: «uma mistura sublime de estilos que nos trazem uma enorme paz de espírito» (Nuno Ávila). Tal como já havia dito em relação ao projecto Aduf, este é mais um dos projectos que se pode tornar num verdadeiro tesouro da música portuguesa e é daqueles que enche de orgulho a nossa alma lusitana...

Nos vídeos, podem ver e ouvir o single de promoção "Um tempo de por ti ser", uma reportagem sobre o projecto do programa Km 0 da RTP2 e dois temas ao vivo em Guimarães, com os convidados José Salgueiro e Zé Perdigão.



Ouçam muita música! Boa música!

Saudações de uma comparsa!

domingo, fevereiro 07, 2010

The Wire

Caros Comparsas, é com muita alegria que o Falcão volta aos voos no ano de 2010 com uma série que muito me agrada e surpreendeu. E o motivo desse regozijo é The Wire. E se vocês se interrogarem qual o porquê deste entusiasmo, eu respondo que é porque The Wire é uma série diferente, para melhor, mais complexa e completa do que qualquer série policial que já tenham visto na vossa vida. E se vocês perguntarem o porquê de ser assim tão bom e ninguém conhecer, eu respondo que é capaz de ser porque não é fácil ficar viciado em The Wire, porque antes disso não é fácil gostar de The Wire. É das séries televisivas que mais investimento pede ao espectador devido ao que exige de paciência, atenção e dedicação.
Basicamente, The Wire é sobre uma equipa de investigação especial da polícia de Baltimore, formada pelo detective de Homicídios Jimmy McNulty, o tenente dos Narcóticos Cedric Daniels e os seus subordinados Herc, Carv e Kima, o sábio Lester Freamon e o "só aparentemente" incapaz Roland Prezibilewski. Na primeira temporada, investigam os negócios de uma organização de tráfico de droga comandada por Avon Barksdale e seu braço-direito (e uma das personagens mais geniais que a televisão já viu, um traficante que se inscreve num curso de gestão para melhor conduzir o "negócio") Stringer Bell. Mas The Wire não é uma série policial normal e ao contrário de CSI e seus sucedâneos muito semelhantes, um caso não dura apenas um episódio, mas um temporada inteira. Ainda para mais, a série não se limita ao trabalho policial, nem aos meandros da organização de Barksdale, mas aos pormenores mais ínfimos da realidade das ruas de Baltimore, desviando-se para as vidas de personagens como "Bodie", "Poot" e Wallace, jovens membros da "empresa" de Barksdale, ou o informador de Kima e toxicodependente "Bubbles", ou o genial Omar.
The Wire é o programa de televisão favorito de Barack Obama e mais um monumento da HBO e há quem a considere a melhor série televisiva americana de sempre. É uma série que pede mais paciência e dedicação ao espectador do que outras produções: arde em fogo lento, move-se sem pressas e uma das ousadias de The Wire é, por exemplo, abrir com um episódio-piloto que apresenta personagens e pouco mais faz para cativar o espectador. Há polícias e criminosos, há áreas cinzentas com fartura de um lado e do outro, há incompetência profissional como raras vezes uma série policial mostrou, não há tiros, perseguições, resoluções. Pelo contrário: há moleza, frustração, confusão, enganos, progressões que não o são, regressos à estaca zero. The Wire conquista-nos precisamente pelo seu ritmo lento, pelo tempo que nos obriga a passar com todas aquelas personagens - polícias, criminosos, políticos - e pelo bem que ficamos a conhecê-las por causa disso. E conquista-nos porque é próxima de nós - não há heróis invencíveis, não há Gil Grissoms nem Jack Bauers, há pessoas que se atrapalham, que erram, há facínoras que vingam e gente boa que se vai abaixo. Como é que se consegue tornar tão interessante e viciante uma série policial que troca o glamour habitual pelo retrato realista, feio, porco e mau de uma investigação na vida real? É aqui que reside a prova do brilhantismo de The Wire, série que se estranha e que se vai entranhando a cada minuto.
No primeiro vídeo que aqui vos deixo podem ver um momento sublime que ficou célebre pela fusão impressionante entre realização, montagem, trabalho dos actores e o texto do guião. Que, durante alguns minutos, consiste simplesmente na palavra "fuck" e suas variantes. E assim se diz tanto com quase nada. E assim se fica cliente de The Wire!


Saudações de um Comparsa

quinta-feira, dezembro 24, 2009

BOAS FESTAS



Saudações de um Comparsa

sexta-feira, novembro 13, 2009

As Séries da nossa vida...

Caros Comparsas,
após mais uma tradicional pausa de Verão (este ano um pouco mais alongada...), o regresso do Falcão aos voos faz-se desta vez com mais uma proposta minha a todos vocês.
Depois de em Maio passado vos ter perguntado quais eram os filmes da vossa vida e de ter conseguido que fosse um dos posts mais comentados da história do Falcão, é agora a vez das séries de TV. Mas atenção, mais uma vez não pergunto quais foram as melhores ou aquelas que gostam mais no momento, mas sim quais as Séries de TV que, de alguma forma, marcaram a vossa vida.
Mais uma vez, não é uma tarefa fácil, mas esta foi a minha escolha:
- Macgyver
- Allô Allô
- The Simpsons
- Ficheiros Secretos
- That 70's Show
- Seinfeld
- Band of Brothers
- Arrested Development (aqui no Falcão)
- Life on Mars (aqui no Falcão)
- Californication (aqui no Falcão)




Saudações de um Comparsa

quinta-feira, junho 11, 2009

Deadwood

Sempre gostei de filmes de cowboys. É uma daquelas paixões que me vêm da infância ao ver as cowboiadas do John Wayne ao domingo à tarde, aliado às bandas desenhadas do Lucky Luke e que se prolongou com os clássicos do Clint Eastwood na adolescência. Por causa desta inclinação, estou sempre atento às novidades do género, apesar de raramente aparecerem filmes de qualidade nos últimos tempos. E assim, fiquei com uma natural curiosidade ao tomar conhecimento desta elogiada série produzida pela HBO.
Mas Deadwood é muito mais que uma série sobre cowboys… Aqui acompanhamos o nascimento de uma cidade na fronteira americana e a impiedosa luta pelo poder instalado entre os pioneiros. Após a descoberta de ouro na região, milhares mudaram-se para lá, trazendo um rasto de esperança, cobiça e muita violência, pois por se encontrar em território indígena, Deadwood não contava com apoio governamental nem leis. Numa era de roubos e ganância, a mais rica febre do ouro da história da América atrai uma horda de parasitas sem terra para um povoado sem lei onde tudo - e todos - têm um preço. Os colonos, desde um antigo agente da lei ao matreiro dono de um saloon, passando pelos lendários Wild Bill Hickok e Calamity Jane, partilham um estado de espírito sempre alerta e sobrevivem por todos os meios necessários. O acampamento de Deadwood é um salve-se quem puder de mineiros em busca de ouro, apostadores, bêbados, prostitutas, pistoleiros, trabalhadores e aventureiros que sobrevivem em terreno instável, ainda não sedimentado pela lei ou pelos costumes.
O estilo visual é cativante e não esquecemos as sarnentas roupas interiores de algumas personagens, as excreções corporais constantes (vómito, mijo e merda), a nudez gratuita das prostitutas, as ruas sempre cheias de lama, a varíola e outras doenças, inúmeros pormenores que conferem um grande realismo a Deadwood, tornando-a numa série histórica extremamente credível.
Assistimos aqui a um reinventar do género que consegue causar impacto ao não apresentar restrições de violência, palavrões, nudez ou sexo. Mas o génio de Deadwood está nos seus diálogos escorreitos, brilhantes e profanos. Muitos dos personagens e situações são baseados em factos reais, o que confere um tom semi-documental e realista à trama. O grande destaque é o actor inglês Ian McShane, que faz de Al Swearengen um dos mais complexos e ameaçadores vilões da história, na minha modesta opinião...
Como já referi, Deadwood é produzida pela HBO, que nos presenteou com séries como The Sopranos, Rome e Entourage e durante as suas três temporadas ganhou inúmeros prémios, incluindo Globos de Ouro e Emmys.
Uma experiência imperdível e altamente recomendável.

Bem-vindos a Deadwood...
Um sítio dos diabos para fazer fortuna.




Saudações de um Comparsa

sexta-feira, junho 05, 2009

Europa vs União Europeia - publicado a Junho 01 2009 | Trouw

A Europa não existe. O que existe é a União Europeia, enquanto instituição legal que é útil aos cidadãos. Reflexões do filósofo Hermand de Regt. A construção da União Europeia não pode nem dever ficar dependente de meditações sobre a identidade da Europa.

Na sequência do ‘Não’, expresso no referendo sobre a Constituição Europeia de 2005, os Países Baixos renunciaram, por intermédio do seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Maxime Verhagen, à ideia de identidade europeia. E ainda bem. Em vez de analisarmos o que representa a Europa, seria melhor reavaliarmos, dentro do espírito de Monnet e Schuman, aquilo que a União Europeia deveria fazer para que as pessoas dêem pela sua ‘existência’, a fim de que tomem consciência daquilo que deve ser feito para manter a paz e a prosperidade na sua região – qualquer que seja a dimensão dessa região.

Como é evidente, os intelectuais tentam levar-nos a acreditar na “identidade da Europa” (como fez George Steiner no seu ensaio, tão lúdico quanto magistral, Une certaine idée de l’Europe (2005), editado pelo instituto europeu Nexus). Fazem referência aos grandes acontecimentos históricos: o advento da democracia na Grécia e da ciência em Itália, a Declaração dos Direitos do Homem em França e, também, os tratados assinados no termo da Segunda Guerra Mundial.

Falam de “escola europeia”, uma mentalidade europeia que assentaria num cânone ou na descoberta de uma relação especial entre a religião, o Estado e a ciência. Contudo, por mais convincente que tal possa parecer, não acredito nisso. A Europa não existe enquanto algo de tangível. A União Europeia sim, existe.

Conforme demonstrou a questão da Turquia, o facto de se procurar “a quintessência da Europa” pode ter um efeito imobilizador. São muitos os que sublinham que a Turquia não partilha a nossa maneira “europeia” de encarar o mundo, por exemplo no que se refere aos direitos humanos. Alguns salientam que a Turquia não respeita os ensinamentos europeus da História. Na realidade, pouco importa. Porque a União Europeia não tem nada a ver com uma qualquer “essência da Europa”, quer esta se baseie numa reflexão filosófica ou numa reflexão histórica.

A União Europeia, como alguns Estados-nação dolorosamente descobriram, é um meio para enfrentar determinados problemas, em especial os riscos de guerra e as crises económicas. O objectivo da União Europeia não é, portanto, incarnar a Europa na sua forma mais “essencial”. A UE é, simplesmente, um clube pragmático, com condições de admissão.

Pensar que é possível fazer avançar a União Europeia continuando a meditar sobre aquilo que realmente define a Europa, poderá vir a revelar-se um erro catastrófico. Catastrófico no sentido em que a União Europeia poderá sofrer um recuo em toda a linha do seu nível de vida ou, mais grave ainda, o clube poderá desintegrar-se e os seus membros poderão voltar a pegar em armas.

A política nacional deve, por conseguinte, procurar uma nova maneira de explicar a importância da União Europeia aos seus cidadãos. Porque ninguém pode levar-nos a mal que queiramos abandonar um clube, quando este não tem nada para nos oferecer. Felizmente, o período de campanha para as eleições europeias de 4 de Junho pode proporcionar um grande número de ocasiões para voltar a explicar o que a União Europeia pode fazer pelos seus habitantes. Vá lá, senhores e senhoras da política: aproveitem esta oportunidade!

Herman de Regt

quinta-feira, junho 04, 2009

WOK - Ritmo Avassalador




"Num futuro distante, dois clãs rivais lutam para sobreviver a uma realidade selvagem. Forçados pelas circunstâncias e inspirados pelo instrumento Bombo vão resistir cooperando e aliando-se para formar um clã uno.

Uma demanda arrojada que atravessa instrumentos, ritmos e danças oriundos do imaginário tradicional Português.


A maior investida da percussão tradicional Portuguesa, conduzida por um belíssimo elenco, num espectáculo bombástico, inesperado e hilariante.

Um espectáculo de Rui Júnior" - Tocá Rufar

sexta-feira, maio 15, 2009

Os Filmes da nossa vida...

Caros Comparsas,
o que vos venho pedir hoje é um exercício que não é fácil, mas que penso que será interessante e que ninguém se importará de fazer. Venho então perguntar-vos quais são os filmes da vossa vida, os que mais vos marcaram? Aqueles, que por uma razão ou por outra são importantes para vocês. Os que foram paixão à primeira vista ou aqueles que foram apreciando cada vez mais à medida que os foram vendo mais vezes. Ou ainda aqueles que vos recorda uma fase da vossa vida ou uma situação especial. Sim, eu sei que não é fácil, pois todos gostamos de tantos filmes... Aqui deixo a minha lista, e acreditem que muitos outros poderiam constar… Para facilitar, fiz uma lista de 10 e não hierarquizei os filmes que são os seguintes:


- O Padrinho de Francis Ford Coppola
- Indiana Jones e os Salteadores da Arca Perdida de Steven Spielberg
- Fight Club de David Fincher
- The Big Lebowski
dos Irmãos Coen
- Pulp Fiction
de Quentin Tarantino
- O Pianista de Roman Polanski
- Heat de Michael Mann
- O Bom, o Mau e o Vilão de Sergio Leone
- The Departed de Martin Scorsese
- Garden State de Zach Braff


E vocês, quais são os filmes da vossa vida?

Filme do Ano 2008

Como alguns Comparsas se devem lembrar, no início do ano procedemos a uma votação de forma a eleger o Filme do Ano 2008. Devido a alguns contratempos que me afastaram de blogosfera só agora divulgo os resultados que obtivemos.
E o grande vencedor foi O Cavaleiro das Trevas que arrecadou 18 votos num total 64! O segundo filme da saga de Batman realizado por Christopher Nolan foi um sucesso de crítica e bilheteira e será sempre lembrado pela actuação de Heath Ledger, que lhe valeu, inclusivamente, um Óscar póstumo. Infelizmente, não me posso alongar na crítica do filme porque ainda não o vi… Mas está na lista para ver em breve.
Quero apenas ainda referir que o pódio ficou completo com Haverá Sangue (8 votos) e o terceiro lugar foi partilhado por 3 filmes (Este País Não É Para Velhos, Tropa de Elite, Ensaio sobre a Cegueira).


Saudações de um Comparsa

quinta-feira, março 19, 2009

Aduf

Para comprovar que em Portugal existem grandes músicos com uma enorme criatividade musical, cuja inovação não tem limites, surge este projecto, Aduf. Projecto do percussionista e baterista português José Salgueiro e do guitarrista José Peixoto, autor das músicas e ex-Madredeus, que conta com a colaboração da cantora basca Maria Berasarte, e músicos como Alexandre Dinis (teclados), Gonçalo Marques (gaita de foles e flauta), Carlos Miguel, Ivo Costa e Sebastien Scheriff (percussão).
O projecto teve origem quando, na altura da Expo98, foi feito um convite a José Salgueiro para criar um espectáculo que integrasse o programa "Instrumentos Tradicionais Portugueses". Felizmente, o projecto teve continuidade e pode transformar-se, na minha opinião, num verdadeiro tesouro da música portuguesa. Nos Aduf, a música tradicional ganha uma dimensão contemporânea, que não altera em nada a sua identidade, antes a enriquece com um misto de sonoridades celtas e orientais e com influências do jazz, rock clássico e progressivo.

Nos vídeos podem ver a apresentação da música "A quantas ando", e a apresentação do projecto pelos próprios músicos. Chamo a atenção para os adufes gigantes, que não se limitam apenas a fazer parte do cenário, mas também a dar corpo à música. Espero que gostem, pelo menos metade do que eu gostei. A minha alma lusitana encheu-se de orgulho!



Ouçam muita música! Boa música!

Saudações de uma comparsa!

quarta-feira, fevereiro 18, 2009

Marta Hugon


Marta Hugon, natural de Lisboa, é uma grande revelação e, embora desconhecida do grande público, prova a vitalidade do jazz nacional. Começou a cantar na adolescência, apaixonando-se mais tarde pelo jazz. Depois de ter passado pelo Conservatório de Amesterdão e de ter tido aulas com a cantora britânica Norma Winstone, inscreveu-se na Escola de jazz do Hot Club de Portugal, em Lisboa, também conhecida por Escola de jazz Luiz Villas-Boas, criada em 1979. Aí terá conhecido os músicos que hoje formam o seu quarteto: Filipe Melo no piano, Bernardo Moreira no contrabaixo e André Sousa Machado na bateria.

Em 2005, foi gravado o primeiro álbum, Tender Trap, e, no ano passado, 2008, foi lançado o Story Teller, cujo reportório é composto por clássicos norte-americanos e autores contemporâneos, como Paul Simon "Still crazy after all these years", Dave Mathews "Crash into me" e Chico Buarque "Suburbano coração", contando com André Fernandes na guitarra, como convidado especial.

Deixo-vos, assim, com o singular quarteto, enriquecido com a sensibilidade, simplicidade e doçura da voz de Marta Hugon - pode ser ouvido no myspace. Os vídeos têm um tema do primeiro álbum "Too close for confort" (2.º vídeo), o "Crash into me" (3.º vídeo) e o encantador "River Man" (1.º vídeo), ambos do álbum Story Teller.



Ouçam muita música! Boa música!

Saudações de uma comparsa!