Está a decorrer na cidade de Torres Vedras o 5.º Festival de Acordeões do Mundo. No dia 27 de Outubro, a cidade oestina recebeu o músico francês Daniel Mille, acordeonista e compositor, considerado o melhor artista instrumental em Victoires du Jazz 2006. Acompanhado por músicos excepcionais, Alfio Origlio no piano, Jerome Regard no contrabaixo, Pascal Rey na percussão e Julien Atour no trompete, presenteou a plateia com um espectáculo musical primoroso e mágico, com canções subtis e uma sonoridade única.
Segundo o Ouest France, ce musicien unique propose un chant qui sidère par sa perfection soyeuse. Le son de l' accordéon, la façon de tenir une note jusqu' à l' extinction, le suspense qui fait frémir le silence, le choix des compositions toutes portées vers la mélodie qui vous pénètre sous la peau... Nunca tinha ouvido ninguém tocar acordeão de uma forma tão simples, delicada e ao mesmo tempo tão profunda e apaixonante.
Infelizmente, não consegui encontrar vídeos do quinteto ao vivo, mas ficam aqui dois vídeos com temas do último trabalho, Après la pluie, e um vídeo de Daniel Mille no trio Sans Soucis.
Fringe é a nova série de drama criada por J.J. Abrams. Lançada dia 9 de setembro de 2008, é já considerada por muitos a melhor estreia de 2008. Contém aquela pitada de mistério e suspense, explorando a ténue linha entre a ficção científica e a realidade.
J.J. Abrams confessou mesmo para a crítica de televisão que a ideia do roteiro de Fringe surgiu através de outros êxitos televisivos, incluindo: Michael Crichton, The X-Files, Altered States e The Twilight Zone.
A história começa com um vôo internacional em pânico. Todos os tripulantes sofrem o efeito de uma substância misteriosa e batem as botas. A pele das criaturas simplesmente derrete! Deste ponto iniciam-se as investigações que levarão a descobrir que o que aconteceu com o vôo 627 é apenas um pedaço de uma verdade maior e mais chocante. Enfim alguns dos ingredientes necessários para a gente destruir mais algumas das nossas preciosas horas de vida em frente ao ecrã!
Naturalmente podem e devem espreitar o seguinte trailer!
Elbicho é uma surpreendente banda formada por sete músicos espanhóis: Miguel Campello (voz), Victor Iniesta (guitarra), Carlos Tato (baixo), Toni Mangas (bateria), David Amores (percussão), Juan Carlos Aracil (flauta) e Pepe Andreu (trompete).
Miguel Campello, natural de Alicante (Este de Espanha) e Victor Iniesta, madrileno, conheceram-se em 2001 na Escola Popular de Música de Madrid. Começaram a tocar juntos, e pouco a pouco foram-se juntando os restantes membros da banda, o que permitiu criar um conjunto perfeito, composto pelas influências mais díspares, donde nasceria a proposta artística de Elbicho. Como os próprios dizem, a música não tem fronteiras. Deste modo, oferecem-nos uma proposta musical diferente e inovadora, que acaba por compor um estilo muito próprio e bastante original. Tendo como raiz o flamenco, fundem ritmos espanhóis, como o tango, a rumba e as “bulerías”, e ritmos afro-latinos ao jazz e ao rock.
A banda espanhola tem já 3 álbuns editados. O primeiro, Elbicho, de 2003, Elbicho II de 2005 e o mais recente Elbicho VII de 2007.
Os vídeos que vos apresento são de concertos ao vivo, "el directo es el hábitat natural de la banda, son músicos de calle y así lo demuestran cada vez que suben a algún escenario".
“Mad Men” é mais uma série criada por Matthew Weiner, uma das mentes por trás da conhecida e aclamada “The Sopranos”. Esta série dramática tem o seu epicentro numa das mais prestigiadas agências de publicidade de Nova Iorque (a Sterling Cooper), no início dos anos 60,e é interessante de ver como histórias sobre criativos e executivos publicitários nos conseguem cativar… Tudo gira à volta de Donald Draper (Jon Hamm), um dos génios da empresa e uma figura que depressa associamos à época. Misterioso, calmo, decidido, fascinante e imperfeito, mas, invariavelmente perdido.
Sem rodeios, “Mad Men” é uma grande série. E não o é pelas razões habituais. Apesar do belo argumento, dos diálogos bem escritos, das interpretações competentes, da realização segura ou da banda sonora ideal, o seu maior trunfo é o ambiente. A reconstituição histórica é espantosa. Os cenários, o vestuário, os penteados, a forma de pensar e agir, a tecnologia, enfim, os trejeitos da época, são capturados com uma precisão tremenda, de tal forma que, muito mais que sentir que estamos a ver uma obra ficcional situada nos anos 60, sentimos que estamos nos anos 60. É claro que uma das partes mais divertidas e viciantes desta série está na maneira como Matthew Weiner raspa essa superfície bonita e polida, revelando assim o negrume que vai dentro daquelas vidas perfeitas.
"Mad Men" é um tratado sobre os supostos papéis dos homens e das mulheres, a hipocrisia, a mentira, a ambição - tudo isto servido com razoáveis doses de provocação elegante. Esta bela série é complexa, inteligente, fascinante e até, como tudo, imperfeita. Podem não ficar cativados à primeira, mas com o tempo vão ficar viciados com o fumo constante, o copo na mão em pleno escritório, os adultérios e vidas duplas, a luxúria visual e a atenção milimétrica ao detalhe. Aconselho vivamente, apesar de saber que não será para todos. Ainda de referir que foi a surpreendente vencedora dos Globos de Ouro nas categorias de Melhor Série Dramática e Melhor Actor e que a podem encontrar aqui. Quanto a mim, estou ansiosamente à espera que segunda temporada esteja disponível... Saudações de um Comparsa
Faleceu no passado dia 15 de Setembro uma das grandes referências da composição e interpretação da música nos últimos 35 anos. Como profundo admirador da sua excelência e simplicidade reflicto a minha opinião nas palavras do seu companheiro de sempre:
"Ninguém pode substituir o Richard Wright. Ele era meu amigo e parceiro musical. No meio da discussão sobre quem foram os Pink Floyd e o que a banda representou, a gigantesca contribuição do Rick foi constantemente esquecida. Ele era amável, modesto e reservado, mas a sua voz e forma de tocar eram comoventes e essenciais, sendo componentes mágicos do som mais identificável dos Pink Floyd. Eu nunca toquei com alguém como ele. A combinação da sua voz e da minha, assim como a nossa telepatia musical, floresceu pela primeira vez em 1971, no álbum 'Echoes'. A meu ver, os maiores momentos da banda aconteceram quando ele estava no auge. Afinal, sem 'Us and Them' e 'The Great Gig In The Sky', as quais ele compôs, o 'Dark Side Of The Moon' não teria funcionado. Sem o seu toque de subtileza, o 'Wish You Were Here' não teria sido tão bem-sucedido. Nos anos seguintes, por diversas razões ele perdeu-se em alguns momentos, mas no início dos anos 90, com o 'The Division Bell' asua vitalidade, o seu brilho e senso de humor regressaram. Quando apareceu na minha turnê em 2006, a recepção do público foi muito edificante, e o seu enorme espanto quando foi aplaudido de pé (aplausos que não nos surpreenderam) é uma marca de sua modéstia. Tal qual o Rick, não acho fácil expressar meus sentimentos na forma de palavras, mas eu adorava-o e sentirei tremendamente sua falta."
David Gilmour segunda, 15 de setembro de 2008.
Deixo-vos então com os vídeos de quatro grandes hinos que têm o selo da criatividade de Richard Wright : "Breaktrough" do seu álbum de originais "Broken China"; parte da inesquecível "Echoes" na sua actuação com David Gilmour em 2007 e dois pequenos documentários sobre os temas "The great gig in the sky" e "Us and Them" pertencentes ao álbum "The Darkside of the Moon".
Durante mais uma das minhas deambulações pela blogosfera, deparei-me com esta pequena pérola protagonizada pelos actores brasileiros Selton Mello e Seu Jorge (Cidade de Deus, The Life Aquatic). E sendo um grande fã de Tarantino, vejo-me na obrigação de a partilhar com vocês e, ao mesmo tempo, de iniciar uma nova rúbrica. Comprometo-me então a procurar e dar a conhecer mais curtas-metragens disponíveis no Youtube.
Para já, vejam um exemplo do que se pode fazer com pouco dinheiro, aliando o talento à criatividade... Tenho a certeza que esta curta fará as delícias de qualquer cinéfilo que se preze e quem não conhecer os filmes que são referidos, aconselho a sua rápida visualização, pois fazem parte da história do melhor cinema dos últimos quinze anos. Apreciem lá esta conversa Tarantinesca sobre os filmes do Tarantino...
Absolutamente genial é uma pálida afirmação para descrever o incrível legado daquele que é um dos colectivos mais carismáticos e lendários da história do rock. Os Led Zeppelin surgiram em 1968 e mudaram a história da música para sempre, e quase quatro décadas volvidas são ainda hoje uma referência para as novas gerações de músicos…
Nada nem ninguém conseguiu ser tão emblemático dos anos 70 como os Led Zeppelin. No entanto, o engenho e a ambição que caracterizaram a banda britânica têm origem nas transformações das décadas anteriores. Jimmy Page começou a tocar guitarra nos anos 50, e na década seguinte, era já um guitarrista importante na cena pop londrina. Ganhou reputação ao tocar para nomes como “The Kinks”, “The Who”, “Herman’s Hermits” e “Donovan”, entre outros. Em 1966, juntou-se a Jeff Beck nos “Yardbirds”. No entanto, a banda convivia mal com o temperamento difícil de Beck, e, em meados de 1968, todos os membros haviam já abandonado o grupo. Page comprou o nome da banda e começou a procurar novos músicos de modo a conseguir cumprir um contrato feito para a realização de concertos na Escandinávia. O vocalista Robert Plant, conhecido pelo seu trabalho no grupo “The Band of Joy”, foi recrutado, trazendo com ele o amigo baterista John Bonham. O baixista John Paul Jones viu um anúncio no jornal e sendo já conhecido de Page, rapidamente se juntou ao grupo. Após alguns concertos como “The New Yardbirds”, a banda mudou o nome para Led Zeppelin, após sugestão de Keith Moon, baterista dos “The Who”. Estava assim encontrada a formação de uma das bandas mais talentosas e importantes de todos os tempos.
Em 1968, o grupo editou o seu primeiro álbum Led Zeppelin. Esse disco resultava de uma combinação entre o blues, o rock e influências orientais com amplificações distorcidas, o que o levou a tornar-se um dos pilares do surgimento do heavy metal, embora Plant tenha declarado injusta esta classificação, já que aproximadamente um terço de sua música era acústica. No final dos anos 60 e ínicio dos anos 70 a palavra heavy metal tinha uma conotação pejorativa, o que fez com que os artistas rotulados como heavy metal preferissem outros nomes como heavy rock, ou simplesmente rock and roll.
Mantidos à margem e constantemente insultados pela imprensa, o início de carreira dos Led Zeppelin não foi fácil. Classificados de meros salteadores do legado do blues, o público esgotava lotações onde quer que o quarteto actuasse e aí, apenas a música interessava. O imediato sucesso comercial do primeiro disco foi o pontapé de saída para a carreira da banda, especialmente no EUA, onde eles haveriam de actuar frequentemente, e onde as suas vendas de discos apenas foram suplantadas pelos “The Beatles”. Gravaram nove álbuns de originais até 1982, onde exploraram novos caminhos e derrubaram fronteiras, inventando novos conceitos.
Convictos de que representavam um novo mundo, uma nova era, os Led Zeppelin desenharam a fronteira entre os valores arduamente conquistados da década de 1960 e os prazeres da vida mundana e irresponsabilidade que caracterizaram os anos 70. Se a popularidade da banda em palco era impressionante, a sua fama pelos excessos era ainda maior. Eles viajavam num jacto particular, alugavam pisos inteiros de hotéis, e tornaram-se objecto de algumas das histórias mais famosas, envolvendo danos materiais a quartos de hotel, aventuras sexuais e abuso de drogas. Em 1980, John Bonham morreu asfixiado pelo próprio vómito numa banheira, pondo fim à carreira dos Led Zeppelin e ao mesmo tempo contribuindo para o engrandecimento do mito e da lenda em que se tornaram…
Talentosos, complexos, ávidos, belos e perigosos, os Led Zeppelin foram uma das bandas mais consistentes do século XX em matéria de composição e actuação, apesar de tudo o que tiveram de superar, incluindo eles próprios. Os Led Zeppelin tocavam para um tempo novo, e, após três décadas e meia, a sua música está tão viva quanto antes. O som da banda britânica tomou-nos de assalto e elevou-se a um território que parece não ter fim. Aqui fica a minha homenagem à maior banda de sempre…
… porque há bandas portuguesas que merecem ser ouvidas pareceu-me pertinente tornar este espaço numa plataforma de divulgação de novos valores da música nacional.
Por isso, desta vez o falcão voa de terras beirãs até ao oeste português para apresentar The Shiftas: em Portugal, no Oeste Profundo, as armas dos Shiftas são os acordes selvagens, o grito da revolta, o Rock!
Os Shiftas são uma banda portuguesa formada por quatro jovens do Sobral de Monte Agraço e contam já com um grande reportório de músicas originais, com fortes influências do blues, digno de ser gravado e editado em cd. Convido-vos assim a ouvir três dos temas desta banda portuguesa: A Lucy Nation, Dead Man Walking e Squeeze Me, disponíveis no myspace ou no blogue. De qualquer forma, deixo-vos aqui para ver e ouvir o vídeo da música Dead Man Walking.
Foi esta semana divulgado o cartaz completo do 4º Festival da Serra da Estrela que se realizará nos dias 17, 18 e 19 de Julho e sendo este o único evento do género na nossa região, sinto-me, mais uma vez, na obrigação de o divulgar neste nosso espaço.
Inserido no Parque Nacional da Serra da Estrela, este ano o Festival pretende, através da música, transmitir uma mensagem, um objectivo... consciencializar e sensibilizar os participantes para a protecção do meio ambiente. Nos três dias do festival, a organização vai apostar numa atmosfera de respeito ambiental e em actividades informativas e formativas sobre as questões e preocupações ambientais com o objectivo de passar a mensagem da ecologia.
Este evento surgiu do alinhamento de ideias de um grupo de jovens de Valhelhas com o intuito de dinamizar social e culturalmente esta zona da Serra da Estrela através de um acontecimento que dá a conhecer um 'interior' que, embora longe dos grandes centros, não deixa de ser uma zona empreendedora e aberta a novas iniciativas. Toda a envolvência natural e as condições físicas e estruturais de Valhelhas são uma mais valia, que só por si merecem a nossa visita. A aldeia fica situada no parque natural da Serra da Estrela, a 20km da Guarda e da Covilhã e dista 15 km da auto-estrada A23 (cliquem no mapa para ampliar). Nesta edição a estrutura base do Festival é, mais uma vez, mantida e as tasquinhas regionais não podiam faltar ainda com mais sabores e aromas, assim como a zona de artesanato. Um parque radical, a praia fluvial cheia de actividades aquáticas, assim como peças de teatro e workshop’s preencherão as tardes do público presente. Quanto ao programa musical, destaco a noite de Sexta, onde poderemos assistir à actuação de três das melhores bandas do novo rock português (já todas mencionada aqui no blog): Linda Martini, Dapunksportif e os Vicious Five. Apesar desta ser a noite mais ansiada por mim, vamos ter também a oportunidade de ver concertos de outros nomes importantes do panorama musical português e que com certeza agradarão a todo o tipo de públicos: Coldfinger, Buraka Som Sistema, Tora Tora Big Band e Kussondulola, entre outros, farão também parte da festa. É também de destacar o início da internacionalização deste nosso festival: este ano teremos já a participação de duas bandas espanholas: The Right Ons e 6pm. Como habitual, todas as noites serão encerradas pelos incansáveis Dj’s na zona after-hours. Apareçam, pois o festival vale pelo seu todo e não apenas pela música, podem desfrutar das belas paisagens e também da praia fluvial à porta da tenda…
Os Deolinda são um novíssimo e original conceito de música popular de Portugal inspirado pelo fado e pelas raízes tradicionais da canção portuguesa. Formados em 2006 por 4 jovens músicos com experiências musicais diversas (jazz, música clássica, música étnica e tradicional), procuram, através do cruzamento das diferentes linguagens e pesquisa musical, recriar uma sonoridade de cariz popular que sirva de base às composições originais do grupo. O recente sucesso deste grupo deve-se em parte, em ter encontrado uma forma nova, original e divertida de cantar o que o fado canta, sem a tradicional guitarra portuguesa e através de uma personagem fictícia chamada Deolinda.
Acabam de lançar o seu disco de estreia intitulado Canção ao Lado, onde apresentam catorze canções que têm tanto de boa disposição, como de melancolia e de seriedade, onde contam pequenas histórias com personagens típicas portuguesas e cenários típicos do fado, num Portugal moderno e cosmopolita.
Formados pelos guitarristas Luis e Pedro Martins, pelo contrabaixista Zé Pedro Leitão e pela vocalista Ana Bacalhau, os Deolinda são claramente um projecto de fusão que interliga fado, pop e jazz. Com o fado como mira, mas acertando-lhe de propósito um pouco ao lado, os Deolinda são mais uma lufada de ar fresco na nova música portuguesa.