Faleceu no passado dia 15 de Setembro uma das grandes referências da composição e interpretação da música nos últimos 35 anos. Como profundo admirador da sua excelência e simplicidade reflicto a minha opinião nas palavras do seu companheiro de sempre:
"Ninguém pode substituir o Richard Wright. Ele era meu amigo e parceiro musical. No meio da discussão sobre quem foram os Pink Floyd e o que a banda representou, a gigantesca contribuição do Rick foi constantemente esquecida. Ele era amável, modesto e reservado, mas a sua voz e forma de tocar eram comoventes e essenciais, sendo componentes mágicos do som mais identificável dos Pink Floyd. Eu nunca toquei com alguém como ele. A combinação da sua voz e da minha, assim como a nossa telepatia musical, floresceu pela primeira vez em 1971, no álbum 'Echoes'. A meu ver, os maiores momentos da banda aconteceram quando ele estava no auge. Afinal, sem 'Us and Them' e 'The Great Gig In The Sky', as quais ele compôs, o 'Dark Side Of The Moon' não teria funcionado. Sem o seu toque de subtileza, o 'Wish You Were Here' não teria sido tão bem-sucedido. Nos anos seguintes, por diversas razões ele perdeu-se em alguns momentos, mas no início dos anos 90, com o 'The Division Bell' asua vitalidade, o seu brilho e senso de humor regressaram. Quando apareceu na minha turnê em 2006, a recepção do público foi muito edificante, e o seu enorme espanto quando foi aplaudido de pé (aplausos que não nos surpreenderam) é uma marca de sua modéstia. Tal qual o Rick, não acho fácil expressar meus sentimentos na forma de palavras, mas eu adorava-o e sentirei tremendamente sua falta."
David Gilmour segunda, 15 de setembro de 2008.
Deixo-vos então com os vídeos de quatro grandes hinos que têm o selo da criatividade de Richard Wright : "Breaktrough" do seu álbum de originais "Broken China"; parte da inesquecível "Echoes" na sua actuação com David Gilmour em 2007 e dois pequenos documentários sobre os temas "The great gig in the sky" e "Us and Them" pertencentes ao álbum "The Darkside of the Moon".
Durante mais uma das minhas deambulações pela blogosfera, deparei-me com esta pequena pérola protagonizada pelos actores brasileiros Selton Mello e Seu Jorge (Cidade de Deus, The Life Aquatic). E sendo um grande fã de Tarantino, vejo-me na obrigação de a partilhar com vocês e, ao mesmo tempo, de iniciar uma nova rúbrica. Comprometo-me então a procurar e dar a conhecer mais curtas-metragens disponíveis no Youtube.
Para já, vejam um exemplo do que se pode fazer com pouco dinheiro, aliando o talento à criatividade... Tenho a certeza que esta curta fará as delícias de qualquer cinéfilo que se preze e quem não conhecer os filmes que são referidos, aconselho a sua rápida visualização, pois fazem parte da história do melhor cinema dos últimos quinze anos. Apreciem lá esta conversa Tarantinesca sobre os filmes do Tarantino...
Absolutamente genial é uma pálida afirmação para descrever o incrível legado daquele que é um dos colectivos mais carismáticos e lendários da história do rock. Os Led Zeppelin surgiram em 1968 e mudaram a história da música para sempre, e quase quatro décadas volvidas são ainda hoje uma referência para as novas gerações de músicos…
Nada nem ninguém conseguiu ser tão emblemático dos anos 70 como os Led Zeppelin. No entanto, o engenho e a ambição que caracterizaram a banda britânica têm origem nas transformações das décadas anteriores. Jimmy Page começou a tocar guitarra nos anos 50, e na década seguinte, era já um guitarrista importante na cena pop londrina. Ganhou reputação ao tocar para nomes como “The Kinks”, “The Who”, “Herman’s Hermits” e “Donovan”, entre outros. Em 1966, juntou-se a Jeff Beck nos “Yardbirds”. No entanto, a banda convivia mal com o temperamento difícil de Beck, e, em meados de 1968, todos os membros haviam já abandonado o grupo. Page comprou o nome da banda e começou a procurar novos músicos de modo a conseguir cumprir um contrato feito para a realização de concertos na Escandinávia. O vocalista Robert Plant, conhecido pelo seu trabalho no grupo “The Band of Joy”, foi recrutado, trazendo com ele o amigo baterista John Bonham. O baixista John Paul Jones viu um anúncio no jornal e sendo já conhecido de Page, rapidamente se juntou ao grupo. Após alguns concertos como “The New Yardbirds”, a banda mudou o nome para Led Zeppelin, após sugestão de Keith Moon, baterista dos “The Who”. Estava assim encontrada a formação de uma das bandas mais talentosas e importantes de todos os tempos.
Em 1968, o grupo editou o seu primeiro álbum Led Zeppelin. Esse disco resultava de uma combinação entre o blues, o rock e influências orientais com amplificações distorcidas, o que o levou a tornar-se um dos pilares do surgimento do heavy metal, embora Plant tenha declarado injusta esta classificação, já que aproximadamente um terço de sua música era acústica. No final dos anos 60 e ínicio dos anos 70 a palavra heavy metal tinha uma conotação pejorativa, o que fez com que os artistas rotulados como heavy metal preferissem outros nomes como heavy rock, ou simplesmente rock and roll.
Mantidos à margem e constantemente insultados pela imprensa, o início de carreira dos Led Zeppelin não foi fácil. Classificados de meros salteadores do legado do blues, o público esgotava lotações onde quer que o quarteto actuasse e aí, apenas a música interessava. O imediato sucesso comercial do primeiro disco foi o pontapé de saída para a carreira da banda, especialmente no EUA, onde eles haveriam de actuar frequentemente, e onde as suas vendas de discos apenas foram suplantadas pelos “The Beatles”. Gravaram nove álbuns de originais até 1982, onde exploraram novos caminhos e derrubaram fronteiras, inventando novos conceitos.
Convictos de que representavam um novo mundo, uma nova era, os Led Zeppelin desenharam a fronteira entre os valores arduamente conquistados da década de 1960 e os prazeres da vida mundana e irresponsabilidade que caracterizaram os anos 70. Se a popularidade da banda em palco era impressionante, a sua fama pelos excessos era ainda maior. Eles viajavam num jacto particular, alugavam pisos inteiros de hotéis, e tornaram-se objecto de algumas das histórias mais famosas, envolvendo danos materiais a quartos de hotel, aventuras sexuais e abuso de drogas. Em 1980, John Bonham morreu asfixiado pelo próprio vómito numa banheira, pondo fim à carreira dos Led Zeppelin e ao mesmo tempo contribuindo para o engrandecimento do mito e da lenda em que se tornaram…
Talentosos, complexos, ávidos, belos e perigosos, os Led Zeppelin foram uma das bandas mais consistentes do século XX em matéria de composição e actuação, apesar de tudo o que tiveram de superar, incluindo eles próprios. Os Led Zeppelin tocavam para um tempo novo, e, após três décadas e meia, a sua música está tão viva quanto antes. O som da banda britânica tomou-nos de assalto e elevou-se a um território que parece não ter fim. Aqui fica a minha homenagem à maior banda de sempre…
… porque há bandas portuguesas que merecem ser ouvidas pareceu-me pertinente tornar este espaço numa plataforma de divulgação de novos valores da música nacional.
Por isso, desta vez o falcão voa de terras beirãs até ao oeste português para apresentar The Shiftas: em Portugal, no Oeste Profundo, as armas dos Shiftas são os acordes selvagens, o grito da revolta, o Rock!
Os Shiftas são uma banda portuguesa formada por quatro jovens do Sobral de Monte Agraço e contam já com um grande reportório de músicas originais, com fortes influências do blues, digno de ser gravado e editado em cd. Convido-vos assim a ouvir três dos temas desta banda portuguesa: A Lucy Nation, Dead Man Walking e Squeeze Me, disponíveis no myspace ou no blogue. De qualquer forma, deixo-vos aqui para ver e ouvir o vídeo da música Dead Man Walking.
Foi esta semana divulgado o cartaz completo do 4º Festival da Serra da Estrela que se realizará nos dias 17, 18 e 19 de Julho e sendo este o único evento do género na nossa região, sinto-me, mais uma vez, na obrigação de o divulgar neste nosso espaço.
Inserido no Parque Nacional da Serra da Estrela, este ano o Festival pretende, através da música, transmitir uma mensagem, um objectivo... consciencializar e sensibilizar os participantes para a protecção do meio ambiente. Nos três dias do festival, a organização vai apostar numa atmosfera de respeito ambiental e em actividades informativas e formativas sobre as questões e preocupações ambientais com o objectivo de passar a mensagem da ecologia.
Este evento surgiu do alinhamento de ideias de um grupo de jovens de Valhelhas com o intuito de dinamizar social e culturalmente esta zona da Serra da Estrela através de um acontecimento que dá a conhecer um 'interior' que, embora longe dos grandes centros, não deixa de ser uma zona empreendedora e aberta a novas iniciativas. Toda a envolvência natural e as condições físicas e estruturais de Valhelhas são uma mais valia, que só por si merecem a nossa visita. A aldeia fica situada no parque natural da Serra da Estrela, a 20km da Guarda e da Covilhã e dista 15 km da auto-estrada A23 (cliquem no mapa para ampliar). Nesta edição a estrutura base do Festival é, mais uma vez, mantida e as tasquinhas regionais não podiam faltar ainda com mais sabores e aromas, assim como a zona de artesanato. Um parque radical, a praia fluvial cheia de actividades aquáticas, assim como peças de teatro e workshop’s preencherão as tardes do público presente. Quanto ao programa musical, destaco a noite de Sexta, onde poderemos assistir à actuação de três das melhores bandas do novo rock português (já todas mencionada aqui no blog): Linda Martini, Dapunksportif e os Vicious Five. Apesar desta ser a noite mais ansiada por mim, vamos ter também a oportunidade de ver concertos de outros nomes importantes do panorama musical português e que com certeza agradarão a todo o tipo de públicos: Coldfinger, Buraka Som Sistema, Tora Tora Big Band e Kussondulola, entre outros, farão também parte da festa. É também de destacar o início da internacionalização deste nosso festival: este ano teremos já a participação de duas bandas espanholas: The Right Ons e 6pm. Como habitual, todas as noites serão encerradas pelos incansáveis Dj’s na zona after-hours. Apareçam, pois o festival vale pelo seu todo e não apenas pela música, podem desfrutar das belas paisagens e também da praia fluvial à porta da tenda…
Os Deolinda são um novíssimo e original conceito de música popular de Portugal inspirado pelo fado e pelas raízes tradicionais da canção portuguesa. Formados em 2006 por 4 jovens músicos com experiências musicais diversas (jazz, música clássica, música étnica e tradicional), procuram, através do cruzamento das diferentes linguagens e pesquisa musical, recriar uma sonoridade de cariz popular que sirva de base às composições originais do grupo. O recente sucesso deste grupo deve-se em parte, em ter encontrado uma forma nova, original e divertida de cantar o que o fado canta, sem a tradicional guitarra portuguesa e através de uma personagem fictícia chamada Deolinda.
Acabam de lançar o seu disco de estreia intitulado Canção ao Lado, onde apresentam catorze canções que têm tanto de boa disposição, como de melancolia e de seriedade, onde contam pequenas histórias com personagens típicas portuguesas e cenários típicos do fado, num Portugal moderno e cosmopolita.
Formados pelos guitarristas Luis e Pedro Martins, pelo contrabaixista Zé Pedro Leitão e pela vocalista Ana Bacalhau, os Deolinda são claramente um projecto de fusão que interliga fado, pop e jazz. Com o fado como mira, mas acertando-lhe de propósito um pouco ao lado, os Deolinda são mais uma lufada de ar fresco na nova música portuguesa.
Fresquinho! Fresquinho! Ai está, o novo álbum, Electro Tube Riot. Viu a luz do dia no dia 21 de Abril, este menino produzido por Paulo Franco/João Guincho (ambos voz e guitarra) e Marco Jung, e conta com a participação de vários convidados: Zé Carlos, Fred e Kalú (sim esse, o dos Xutos e Pontapés!) responsáveis pela secção rítmica. Já na sua estreia Ready!Set!Go! se notava a força do rock, e neste novo trabalho eles não fogem a ele, pelo contrário. Também não fogem a comparações, os Queens Of The Stone Age são forte influência para estes moçoilos de Peniche, tal como Motorhead e Monster Magnet. Para mim é uma comparação óbvia, mas boa, excelente até. E porque não? São umas influências bemssíssimas! Com Electro Tube Riot a banda deu um passo em frente, mais maduros, coesos, com um som mais trabalhado, principalmente a nível de arranjos de cordas e voz. Em 11 temas "a gasolina dá lugar à electricidade, as guitarras combatem o asfalto, a vibração rock é dos anos 70 com espírito hard-rock/metal da década seguinte", palavras dos próprios.
Ainda não conheces? De que estás à espera? Fiquem com o clip do 1º single, Friends (Come and Go). Hasta. Aquele abraço!
Californication é a série que marca o regresso ao êxito de David Duchovny, o popular Fox Mulder de Ficheiros Secretos.
Californication conta a história de Hank Moody, um escritor com apenas um livro de sucesso e em crise de inspiração. A fala arrastada e de boca fechada de David Duchovny encaixou-se perfeitamente na personagem principal, ambivalente, talentoso e instável, que navega numa sinuosa jornada de álcool, vícios e mulheres, mas que almeja, ao mesmo tempo e sobretudo, restabelecer a antiga relação amorosa com sua ex-companheira, com a qual tem uma filha pré-adolescente.
A nova série da Showtime (que nos oferece também Weeds, The L Word ou Dexter) é uma mistura de humor e de drama, com ligeira inclinação para o primeiro e faz dos diálogos o seu grande forte. Fértil em cenas eróticas, algumas de sexo explícito, a série já fez correr rios de tinta a favor e contra e permitiu a David Duchovny ganhar o Globo de Ouro na categoria de Melhor Actor em Série de Comédia pelo seu trabalho na interpretação do escritor nova-iorquino em profunda crise pessoal e criativa em Los Angeles.
Californication pode não ser uma série imperdível, mas é uma série leve, bem disposta e viciante, com um sentido de humor negro e uma fina ironia que surpreendem e agarram o espectador, o que nos faz querer ver, de seguida, dois ou três dos seus curtos episódios. Em Portugal, passa no canal FX da TvCabo, mas é também uma das próximas apostas da RTP2. Ou então, podem encontrá-la aqui.
Tim Burton transporta para o grande ecrã um dos grandes mitos urbanos londrinos – a história de um barbeiro inglês que no início do século XIX se dedicava a assassinar os seus clientes. Fazendo parte de uma tradição oral, a história é referida por Charles Dickens no seu livro MartinChuzzlewit (1843), sendo logo a partir de finais do século XIX representada em vários palcos, dando lugar ao primeiro filme (ainda mudo) em 1926, feito em Inglaterra.
Em 1973, o dramaturgo britânico Cristopher Bond escreve a peça Sweeney Todd, na qual acrescenta o lado luminoso do personagem, o Benjamin Barker, separado da mulher e da filha por um juiz corrupto, cuja separação e exílio o faz alimentar-se por uma enorme sede de vingança que se perpetua em Sweeney Todd. O enredo ganha assim «uma dimensão social, com críticas à desigualdade de classes, à justiça corrupta e à voracidade desumana do capitalismo industrial galopante» (Eurico de Barros - DN).
Stephen Sondheim e Hugh Wheeler transportam a história para o palco da Broadway em 1979 e, apesar das primeiras reacções confinadas de horror a tanta violência em palco, Sweeney Todd esteve quase dois anos em cartaz.
Sam Mendes teve o projecto de realização do filme sobre Sweeney Toddcom Russell Crowe, mas felizmente desistiu em 2006. Digo felizmente porque acho que ninguém melhor do que Tim Burton adaptaria tão bem esta história para cinema, nem ninguém melhor do que Johnny Depp daria vida à personagem do sanguinário barbeiro.
Deste modo, das tesouras às navalhas, chega-nos uma nova personagem interpretada por Johnny Depp, o terrível barbeiro da Fleet Street, Sweeney Todd. Parecendo à primeira vista apenas mais um filme de Tim Burton, que nem sequer se preocupa em escolher novos actores – esta é a 6.ª participação de Johnny Depp em filmes de Tim Burton; sendo a 5.ª de Helena Bonham Carter, esposa do próprio realizador – os seus actores de elite provam uma vez mais a razão da sua preferência. É que Tim Burton decide realizar um musical e não precisa preocupar-se em mudar de actores, porque eles até servem para cantar… E cantam muito bem, ao contrário do que tenho por aí lido. Stephen Sondheim, cuja composição musical é absolutamente fantástica, participa no projecto do filme e ele próprio aprovou, depois de uma audição, a escolha dos actores.
Johnny Depp prova uma vez mais que é um grande actor, os papéis dos personagens dos filmes de Tim Burton são uma perfeita simbiose com Johnny Depp. De facto, é difícil imaginarmos outro actor a fazer os mesmos papéis com tanta perfeição. Sou, sem dúvida, uma grande fã de Johnny Depp e devo dizer que é com uma enorme satisfação que o tenho visto crescer no grande ecrã, desde a sua interpretação emEduardo Mãos de Tesoura, o primeiro encontro entre Burton e Depp. Como refere Luís Miguel Oliveira (Público), «física e figurativamente, Sweeney é um Eduardo mais velho (com uma madeixa branca no cabelo preto), mais triste e mais violento, que se completa quando tem nas mãos uma navalha de barbear». Se esta interpretação não foi o auge (Depp foi nomeado para o Óscar de Melhor Actor Principal e recebeu o Globo de Ouro por Melhor Actor de Comédia/Musical), a próxima certamente me fará cair da cadeira.
Helena Bonham Carter interpreta o papel de Mrs. Lovett, cozinheira das piores empadas de Londres e cúmplice de Sweeney Todd. O filme conta também com os papéis de Sacha Baron Cohen (Borat), no papel do Signor Pirelli, e de Alan Rickman, o juiz corrupto.
Como refere Eurico de Barros, Sweeney Todd foi filmado «num negrume de carvão que infiltra a cidade e mancha os corações, só contrariado [pelas cores do passado feliz de Benjamin Barker e] pelos chuveiros de sangue das gargantas abertas pelo barbeiro». Deste modo, facilmente se percebe a progressão da terceira cor do filme: o vermelho do sangue, que invade a tela, contrastando com o preto e o branco dominantes, tornando os últimos vinte minutos do filme absolutamente inesquecíveis.
Para os interessados em prémios cinematográficos (que não influenciam em nada a minha preferência, daí referi-los em último lugar e a letras mínimas), Sweeney Todd, além da nomeação para Óscar de Melhor Actor Principal e Melhor Figurino, esteve nomeado para os Globos de Ouro nas categorias de Melhor Realizador Comédia/Musical e Melhor Actriz, e não só recebeu o Globo de Ouro de Melhor Actor, mas também de Melhor Filme Comédia/Musical.
"Ser Músico é trabalhar o instrumento todos os dias, é pôr-se permanentemente em questão, é duvidar. É a instabilidade feita estabilidade. Um dia encontra-se, mas no dia seguinte é preciso voltar a procurar. Há conquistas mas nada é definitivo. A música é um fantástico instrumento de trabalho sobre nós próprios. Muito exigente, mas que dá prazer!"
Sophia Domancich
Caros Comparsas
Variando um pouco a tendência da exposição individual de cada instrumento, resolvi expor de uma só vez dois instrumentos cujo timbre é muito semelhante e que muitas dúvidas provoca na identificação auditiva de cada um. Tentarei clarificar-vos sobre as diferenças entre o clarinete e o oboé. Antes disso, algumas noções essenciais:
Timbre - Característica do som que nos permite distinguir fontes sonoras que produzem a mesma frequência. [ex. a nota Ré tocada numa Harpa tem a mesma frequência que a nota Ré (com altura semelhante) tocada numa Marimba, no entanto a diferenciação do instrumento é-nos permitida através do seu diferente timbre];
Instrumento Transpositor - Instrumento cuja nota escrita (na partitura) é diferente da nota verdadeira, isso por causa da afinação própria do instrumento; sendo assim é necessário que haja uma transposição de notas para que o referido instrumento toque no tom real da música;
E também o sistema de classificação dos instrumentos criado por Hornbostel e Sachs :
Idiofones - Instrumentos cujo som é produzido pelo próprio corpo do instrumento. É o próprio corpo do instrumento que vibra para produzir o som, sem a necessidade de nenhuma tensão( Engloba alguns instrumentos de percussão de altura indefinida e todos os de percussão de altura definida.)
Membrafones- Instrumentos cujo som é produzido por uma membrana esticada, ou seja, produzem som através da vibração dessa mesma membrana( Engloba só instrumentos de percussão de altura indefinida).
Aerofones- Instrumentos cujo som é produzido pela vibração de uma massa de ar originada no (ou pelo) instrumento ( Engloba todos os instrumentos de sopro, a voz humana e os órgãos de tubos).
Cordofones - Instrumento cujo som é produzido pela vibração de uma corda tensionada( Engloba todos os instrumentos de cordas friccionadas, dedilhadas e percutidas).
Electrofones- Instrumento cujo som é produzido a partir da variação de intensidade de um campo electromagnético, ou seja, o som é produzido por meios mecânicos e depois amplificado e/ou modificado electronicamente ( Engloba todos os instrumentos electrónicos e electromecânicos.
III - OBOÉ Membro da classe dos Aerofones, o oboé é um instrumento de sopro pertencente à família das madeiras. Peculiar pela sua forma ligeiramente cónica este instrumento faz parte do grupo restrito de sopros que possui na embocadura uma palheta dupla. A palheta é constituída por duas lâminas encostadas uma à outra e fixadas na sua extremidade inferior por um tubo de metal e cortiça, que é posteriormente fixada na extremidade superior do oboé. O executante prende a palheta nos lábios e ao soprar faz com que as duas lâminas vibrem e batam uma na outra proporcionando-nos aquele timbre anasalado e encantador. Sendo presença constante na orquestra, o oboé é também requisitado como instrumento solista. Fiquem então com o tema "Gabriel's Oboe" composto e dirigido por Enio Morricone e que faz parte da banda sonora original do filme "The Mission" de 1986 protagonizado por Robert de Niro, Jeremy Irons e Liam Neeson. De seguida poderão ver e ouvir o oboé num registo diferente interpretado pelo consagrado oboísta Jean- Luc Fillon, segue-se a abertura da suite do bailado "O Lago dos Cisnes" de Tchaikovsky onde o oboé assume o destaque da melodia durante o primeiro minuto. Para terminar um pequeno slide de imagens sobre o oboé e os seus constituintes.
IV - CLARINETE
Também pertencente à classe dos Aerofones e à família dos sopros de madeira, o clarinete apresenta-se quanto à forma com um tubo mais cilíndrico. Mas a grande diferença em relação ao oboé consiste na palheta (a do clarinete é simples e incluída numa boquilha) e na extensão das notas (o oboé possui a menor extensão de notas entre os sopros, enquanto a clarinete, a maior) e no seu timbre que é mais grave e mais aveludado que o do oboé. Como referi anteriormente o clarinete tem uma embocadura de palheta simples, esta ao ser soprada faz com que a palheta vibre contra a boquilha. O clarinete (ao contrário do oboé) é um instrumento transpositor e ocupa posição de destaque nas orquestras actuais devido ao seu poder sonoro e à sua extensão de notas. Existem vários tipos de clarinete distribuídos por diferentes afinações e tamanhos. Da esquerda para a direita temos então a requinta, o clarinete soprano (2, 3 e 4), o clarinete alto, o basset horn, o clarinete baixo e o clarinete contrabaixo. Deixo-vos então com os vídeos: no primeiro poderão visionar um trio com clarinete, violoncelo e piano a interpretar a peça "Invierno Porteño" de Astor Piazolla; no segundo um sexteto a interpretar o célebre " Tico-Tico no Fubá" em três tipos de clarinete; o terceiro traz mais uma prestação dos Apocalypse Marimba Plus onde poderemos apreciar o registo do basset horn; para terminar uma verdadeira orquestra de clarinetes a interpretar a peça "Rikudim" do compositor belga Jan van der Roost.